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Cacimbão do Mundaú - artigo do Mácleim
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Cacimbão do Mundaú
FALTA CULTURA PARA CUSPIR NA ESTRUTURA.
Um sujeito como eu, em minha terra de origem, à beira do Mundaú, pode ser facilmente identificado como um engole corda, cacimbão ou coisa que o valha. São alcunhas usadas pela sabedoria popular ao reconhecer os símiles movidos a provocações. Sempre fui assim porque, instintivamente, me dei conta de que a cautela apodrece em forma de covardia. Sou assim, porque meus embates sempre são em torno das idéias e delas não vão além. Portanto, ninguém melhor do que eu para concordar com o que escreveu Norman Mailer, na carta para Max Gissen, em dezembro de 1951. “O crítico está submetido a um requisito moral. Pode escrever sobre um livro sob qualquer ponto de vista, mas tem com seus leitores e com o livro a obrigação de separar as idéias do livro das suas, e juntar o aviso de que sua reação ao que é criticado deve ser vista nesse contexto. Sem esse recato, toda integridade some da crítica, e só se produz propaganda.”.
Esse trecho da carta de Norman Mailer é perfeito para ilustrar o que vem a seguir. Porém, antes, eu ousaria substituir uma só palavra. No caso, caberia melhor o vocábulo “bobagem”, em vez de “propaganda”. Refiro-me ao que escreveu o dublê de Jornalista e agora DJ, Fernando Coelho, uma espécie de Andy Warhol provinciano, fumegante e adocicado incenso da modernidade oca e descartável. Apesar, é claro, de dedicar todo o meu abestalhamento aos ícones da arte Pop. Lá pras tantas, na resenha que ele escreveu sobre o disco Dueto Urbano, no Caderno B do jornal Gazeta de Alagoas, sábado (06), o coelho, rapidinho, manda esta provocação: “Letras insossas, melodias pouco inspiradas, vocais frágeis e arranjos repletos de clichês. Chega até a lembrar alguns dos artistas da MPB alagoana, embora boa parte desses careça da saudável despretensão do Dueto Urbano.”
Bem, engoli a corda. E vejam que interessante: sendo eu um propositor da MPB (com toda idiossincrasia que esta sigla carrega) cujos discos, aqui no Brasil, cabem nesta prateleira - lá fora estão na de Word Music – se eu fizesse vista grossa à grosseria, estaria sob o crivo da conivência silenciosa que ratificaria o fato. Se não, ao ser um cacimbão da beira do Mundaú, mergulho na vala comum aberta pela generalização parcial, contida na Factory de comentários do nosso Andy Warhol tupiniguim. É evidente que a segunda opção me é bem mais confortável, principalmente, levando-se em consideração a origem da crítica, propaganda, bobagem ou coisa que o valha, cujas referências comparativas, por certo, vêem do saco vazio em que regurgita a tal modernidade oca e suas “bolachinhas antenadas”.
Tenho até uma tese sobre a necessidade que alguns jornalistas engajados - dos cadernos de cultura - têm de chicotear a MPB. Mas, como toda tese, levaria tempo e espaço para ser exposta e não iria muito além do que já falou o Raul Seixas: “falta cultura para cuspir na estrutura”. Por isso, vou preferir mais um trecho de uma outra correspondência do Norman Mailer, desta vez, para Diana Trilling, em dezembro de 1965. “Nunca me importo se alguém não gosta de um livro meu. É um direito deles. Além do mais, podem estar com toda a razão. Mas devem dar um motivo, apresentar um argumento, ser capaz de dizer por que não gostaram de um livro, não podem simplesmente dizer que é ruim, porque isso não é crítica. Isso é chutar cabeça num beco escuro.”
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Escrito por Sóstenes Lima às 20h12
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Texto do Mácleim

Atos e Trilhas
Percebi a importância que tem a trilha sonora, como elemento construtor no fazer teatro, onde, como em qualquer expressão artística híbrida, cada elemento não é uno e sim parte do todo.
Foi pelos bastidores que saí da condição privilegiada de fruidor e, profissionalmente, o teatro amalgamou-se em minha vida. Precisamente, no Teatro Vanucci, Rio de Janeiro, no final dos anos 80. Fui conduzido pelo mestre Antonio Adolfo, que me convidou para trabalhar como sonoplasta do musical infantil "Passa Passa Passará", com músicas dele. Naquela época eu não poderia supor - nem tinha a menor noção - que a partir dali o teatro iria exercer uma significativa importância em minha parca verve criativa e, principalmente, em minha trajetória profissional. Foi um encontro feliz e inesperado. Fiz toda a temporada do musical e depois continuei como sonoplasta do Teatro Vanucci, em várias montagens que por lá passaram.
De volta ao aquário, os deuses da ribalta, através dos discípulos de Linda Mascarenhas, sob a sigla ATA (Associação Teatral das Alagoas), me proporcionaram o que seria de fato a experiência mais fantástica e inesquecível, só possível pelo contato direto com a essência da nobre arte: a interpretação. De quebra, antes do início de cada espetáculo, pude entender o significado das batidas de Molière. Ao lado de atores talentosos, pacientes, generosos e consagrados na cena alagoana, ousei - morrendo de medo - aceitar o convite do Ronaldo de Andrade, do Otávio Cabral e do Homero Cavalcante para pisar o palco do Teatro de Arena interpretando dois personagens no clássico de Maquiavel - A Mandrágora.
Mais uma vez não tive a noção de como já havia sido cooptado pelo teatro, e de como poderia desbravar novos caminhos pelos urdimentos dessa arte. Porém, logo percebi que, como ator, teria vida limitadíssima. Tal qual uma hiena faminta, a mediocridade estaria sempre rondando minha ousadia interpretativa, pois este não era o meu ofício e meu papel não estava no palco, talvez, nos bastidores.
A temporada da Mandrágora acabou e eu fiquei quieto no meu canto, com a minha música, mais uma vez. No entanto, me sentia realizado pela sensação de ter vivido um sonho bacana, dentro de um universo mágico, que acabou lentamente como a cortina que se fecha mansamente ao final do espetáculo. Mal sabia eu que o melhor ainda estava por acontecer. Outra vez, generosamente, os deuses da ribalta fizeram chegar um convite tão inesperado como o que me havia feito o Antonio Adolfo, lá no começo dessa história. Aliás, foi muito mais do que um convite, era um desafio daqueles que, antes de qualquer decisão, da vontade mesmo é de fugir e a primeira pergunta que vem à mente é: por que eu?
Pois bem, o Sávio de Almeida, aquele da Igreja Verde, de Comeram o Bispo Dom Pero Fernando Sardinha... Sim, ele mesmo, o grande dramaturgo alagoano, do nada, me convidou para compor a trilha sonora daquela que viria a ser uma das peças mais premiadas e de maior sucesso do teatro alagoano: A Farinhada.
Assim, nasceu a nossa primeira parceria. Daí, nasceu à descoberta de um espaço onde ouso trafegar, convicto de ter encontrado a possibilidade privilegiada de propor sonoridades capazes de intuir signos sensoriais à nobre arte. Nasceu também a minha compreensão da importância que tem a trilha sonora como elemento construtor no fazer teatro, onde, como em qualquer expressão artística híbrida, cada elemento não é uno e sim parte do todo. Portanto, agora, em mim, habita um devir que se estende além do proscênio e se ilumina todas às vezes que, humildemente, tenho a honra de emparelhar o diálogo entre seres apolíneos e dionisíacos.
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Escrito por Sóstenes Lima às 11h26
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Artigo do Mácleim - Ovo No Da Galinha
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Ovo No Da Galinha
EM COMEMORAÇÃO AO DIA NACIONAL DA CULTURA, O GRANDE ATO DA SECULT FOI INAUGURAR UM SALÃO PARA EMOLDURADOS EX-SECRETÁRIOS, FOTOGÊNICOS OU NÃO, RISONHOS OU NÃO.
Final de outubro: agendado um encontro com o presidente da Fundação Cultural Cidade de Maceió e representantes dos Fóruns Permanentes - entre eles o de música. Começo de novembro: agendada reunião dos representantes do Fórum Permanente de Música de Alagoas com o secretário de cultura do Estado de Alagoas. Quem será capaz de adivinhar o quê de comum aconteceu nessas duas agendas? Isso mesmo. Acertou quem previu que nem um dos dois gestores compareceu. O municipal sequer deu uma desculpa para mais uma ausência anunciada. O estadual, segundo pesquisas feitas após sua ausência, teria alegado que análises em orçamentos não lhe permitiam honrar o compromisso assumido e mandou o sub. Parafraseando Gabriel Garcia Marquez, eis a crônica de uma morte anunciada. No caso, o respeito aos atores da cultura alagoana. Porém, essa é uma visão muito particular minha, e, talvez, não reflita o que pensam os colegas desprestigiados.
Do primeiro - o gestor municipal - não há mesmo o que comentar, já que sequer se deu ao trabalho de uma desculpa, pelo menos, esfarrapada. No entanto, há que se elogiar a coerência do seu comportamento. Sair de mansinho de onde se debate a ineficiência municipal para a cultura, fugir, e agora sequer comparecer ao que havia agendado, tem sido a marca registrada do nosso querido Marcial Lima, portentoso teórico na pele de gestor do seu projeto pessoal. Porém, dele, é até compreensível tal comportamento. Pelo menos do ponto de vista da fidelidade hierárquica. Afinal, seu chefe foi exemplar nesse quesito, na eleição passada.
Sendo assim vamos nos concentrar no biólogo gaúcho, gestor da cultura alagoana. De cara, observamos que uma planilha de orçamento tem mais importância que uma reunião com um segmento importante do nosso arcabouço cultural. A pergunta é: por que o nosso tchê cultural fica tão à vontade para agir dessa maneira? Afinal, a serviço de quem (além do povo, é claro) ele ocupa aquela pasta? Não há como chegar ao cerne das respostas sem antes passarmos pela autocrítica necessária e pertinente à nossa própria classe. Até mesmo para não dizerem que a crítica só é bem fundamentada diante dos gestores. Ou seja; nós, da área musical, não temos feito por onde sermos respeitados. Somos permissivos e coniventes com os nossos próprios erros, estamos letárgicos, acomodados, silentes e sem sonhos. Como vamos seduzir alguém se não conseguimos sequer nos seduzir? Se nos serve de consolo, tenho percebido que não é só aqui. A letargia se estabelece em nível nacional. Mas digo logo, se meus colegas melindram-se em vestir esta carapuça, eu, não.
Portanto, o secretário não precisaria ser quem ele é, nem abrandar sua fidelidade prioritária aos tutores políticos que o empossaram, e o mantém no cargo, para perceber nossa fragilidade permissiva e em cima dela deitar e rolar. Ainda mais, bem assessorado nesta questão, como de fato parece estar. Do contrário, em uma comunicação a um dos funcionários da Secult, a responsável pela Superintendência de Formação e Difusão Cultural não ousaria fazer a seguinte observação, que parece dar o tom democrático daquela pasta: “... por favor, quando contatar os grupos (musicais) evite brechas para especulações, sugestões e críticas”.
É obvio que a atual gestão da Secult convive e vem de um certo modismo gerencial, que renega a dimensão conceitual e humana, envolvida na gestão cultural. Achar que avanço é ser alimentado pelos mecanismos de patrocínio cultural e incentivo fiscal, fugindo dos compromissos com a cidadania e gerando uma apropriação mecânica e nada crítica de ferramentas da área gerencial, é estar no bonde errado da amplitude cultural.
Segundo o professor da PUC–MG, José Marcio Barros, em entrevista ao Observatório Itaú Cultural, a incompetência gerencial não diminui os recursos para a cultura, que são pequenos por falta de uma atitude que reconheça na cultura centralidade e urgência. Porém, a incompetência gerencial diminui, drasticamente, a qualidade do que fazemos e as potencialidades e desdobramentos dos resultados.
Vai ver, por isso tudo, em comemoração ao Dia Nacional da Cultura, o grande ato da Secult foi inaugurar um salão para emoldurados ex-secretários, fotogênicos ou não, risonhos ou não. Uma das leituras possíveis para tão importante ato, em prol da cultura alagoana, com raríssimas e honrosas exceções, sou capaz de contar nos dedos da mão esquerda do Lula, sem dúvida, pode ser esta: “vejam! Temos cúmplices de antes, de agora e de sempre”. Mas não quero ser injusto ou parcial, afinal, durante o “ato”, o secretário também anunciou que para 2009 contará com o ovo no da galinha. E mais, que a galinha chama-se emenda parlamentar. Como diz a canção popular: o que dá pra rir dá pra chorar...
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Escrito por Sóstenes Lima às 19h45
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Show IRINAvegar -
Irina Costa, filha de portugueses, nasceu em Angola, em 1975. Chegou ao Brasil ainda criança, vindo morar em Maceió. Ainda assim, continuou mantendo contato com o movimento cultural de Portugal através de sua família.
Gostando de cantar desde os quatro anos de idade, confessa que achava a música portuguesa muito triste. Com a maturidade, porém, a sonoridade e as letras marcantes foram dominando os seus sentimentos. Não resistindo às suas raízes, Irina resolveu mostrar a nova cara da música portuguesa, além de incluir em seu repertório fados que foram imortalizados pela voz de Amália Rodrigues.
Seu objetivo é proporcionar uma viagem à cultura musical portuguesa, dando-lhe uma nova roupagem.
Em 2008, seus esforços foram reconhecidos, sendo a vencedora do 2º Lusavox na cidade do Porto, em Portugal, escolhida pela público e transmitido para mais de 141 países pela Rádio e Televisão Portuguesa - Rtpi, representando o Brasil com a música "O cravo e a rosa" do cantor e compositor alagoano Sóstenes Lima.
Irina Costa foi eleita a melhor cantora de 2007 pela revista eletrônica ESPIA; em março deste ano, a convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros, proferiu palestra na Universidade Lusófona, em Lisboa, no Colóquio Juventude; além de cantar em programas da TV portuguesa, sempre representando o Brasil e Alagoas. Foi sondada por Pedro Ayres de Magalhães (líder dos Madredeus) e por Pedro Abrunhosa - que a convidou para ir à cidade do Porto conhecer os seus estúdios.
IRINAvegar é o novo show que Irina Costa apresenta ao público alagoano. O espetáculo leva o nome de uma música que recebeu de presente de Walmar Brêda, "Ir e Navegar". No dia 19 de novembro, quarta-feira, no Teatro do Colégio Marista, a cantora propõe uma viagem à sua história musical, já que soltou a voz, pela primeira vez, quando ainda era aluna do Colégio Marista, numa peça de teatro (Teatro de Revista), cantando Edith Piaf e interpretando "Como nossos pais" de Elis Regina. "É um voltar ao começo, voltar às raízes", diz Irina.
Acompanhada de músicos de primeira linha, Irina Costa fará um resumo da sua carreira, presenteando a platéia com clássicos da música portuguesa, além de interpretar músicas de artistas portugueses já conhecidos do público brasileiro, como os Madredeus, Mariza e Pedro Abrunhosa. E, como representante da música brasileira e alagoana, em Portugal, a excelente produção musical de Alagoas estará presente em IRINAvegar. Para isso, o show conta com participações especialíssimas de Sóstenes Lima, Mácleim e Júnior Almeida. Além da poesia nos versos de Otávio Cabral.
IRINAvegar é uma viagem imperdível. *
*Show IRINAvegar Quando: 19/11 às 21h; Onde: Teatro do Colégio Marista * *Informações: 3355-1639/9106-2665* * 3325-6545/9122-5634* * Ingressos: Passárgada Turismo - Blue shopping Areia da Praia - ao lado do Casa Amarela, Colégio Marista * *por Assessoria

Escrito por Sóstenes Lima às 18h15
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A Cara do Malandro
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A Cara do Malandro
O MALANDRO AÉREO DECOLOU COM TODA SUA CARGA DE IGNORÂNCIA, INSENSIBILIDADE E ESPERTEZA OTÁRIA.
Não faz muito tempo, um músico importante na nossa cena me contou decepcionado, e num tom de desânimo, que havia conversado com certo empresário alagoano, durante um vôo para São Paulo. Ao lhe perguntar se sua empresa (uma das maiores e, por certo, mais rentáveis imobiliárias de Alagoas) costumava investir em projetos culturais, obteve a seguinte resposta: “investir em cultura não dá retorno”. Aí está a essência do pensamento da grande maioria do nosso empresariado. No caso específico, eis um cidadão que, apesar de ser uma pessoa ainda jovem, é também uma espécie de cariolítico para a célula da cultura local, carente de orientação e absolutamente desprovido de sensibilidade e visão social moderna. Provavelmente, é do tipo que investe altas quantias financiando campanhas políticas, que lhe possibilitarão vantajosas negociatas com verbas públicas, tornando duplamente dolosa sua atitude negativa diante dos anseios culturais.
Pois bem, quem sofre na pele o desgaste que acarreta esse tipo de desinformação e comportamento, são os artistas e os produtores culturais, que necessitam dos contratos de patrocínio para execução dos projetos. Por sua vez, e por tabela, o público deixa de ter bons espetáculos todas às vezes que o horizonte limitado pela omissão dos possíveis investidores, fecha portas capazes de viabilizar boas idéias culturais. Por isso, poderemos avaliar o quanto há de heroísmo na realização dos espetáculos produzidos aqui e que proporcionam empregos diretos e indiretos, agregando valores econômicos e culturais a um número expressivo de pessoas.
A falta de sensibilidade para o entendimento destes valores, que qualquer produção cultural é capaz de agregar, o pires na mão dos nossos artistas, atrelado a uma dependência perniciosa do poder público, demonstra, antes de tudo, que boa parte dos empresários alagoanos é de uma estreiteza cidadã e de uma total indiferença pela comunidade na qual estão inseridos. Principalmente, se considerarmos a sustentação econômica que está mesma comunidade lhes proporciona, consumindo produtos e serviços. A coisa evolui para um grau de analfabetismo funcional, quando são incapazes de perceber que, ao associarem à marca de suas empresas a um bom produto cultural, o retorno institucional positivo é tão forte, e com tal poder de fixação no imaginário do público consumidor, que extrapola o dimensionamento apenas pelo ponto de vista econômico. Como a parte superior e anterior do encéfalo dessas pessoas só deve funcionar à base de exemplos práticos - são incapazes do convencimento através da sensibilidade - que tal o exemplo da Petrobrás? Por mais absurdos que esta empresa cometa, a exemplo da agressão à natureza; tudo se dilui pelo grau dos investimentos, cada vez maiores, em projetos culturais de qualidade, tornando-a uma empresa cidadã na memória ativa do povo brasileiro. Hoje, sua marca está associada positivamente aos produtos culturais que ela patrocina, e não aos acidentes ecológicos que, eventualmente, provoca.
Ao assistirmos qualquer espetáculo produzido aqui, no aCUário, aplaudamos com entusiasmo e como incentivo necessário aos artistas, não só pelo o que nos é proporcionado enquanto fruidores. Lá, no palco, não estaremos vendo apenas à garra de cada um, nem o resultado estético que conseguem expressar. Se quisermos, conseguiremos ver muito além do que a coxia pode esconder. Veremos o respeito ao público na proporção inversa à ignorância e falta de sensibilidade daquele empresário pela sua cultura, por nossos artistas, e pelo povo alagoano.
Mas, enfim: é mesmo raro o vôo em que o vizinho não é uma chatice.
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Escrito por Sóstenes Lima às 08h34
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Queridos leitores, saudade.
Andei meio arisco e meio avesso a escrever. É uma sensação esquisita, mas acontece nas melhores famílias de blogueiros da Inglaterra.
Deparei-me hoje com essas fotos do Festival do IZP e peguei-me pensando em como é muito mais gratificante o reconhecimento sincero do público do que os meandros internos de comissões julgadoras. Postarei outras fotos nesses dias.
Irina esteve maravilhosa naquela noite e essa é a minha maior lembrança.
Fico feliz com minhas parcerias de palco.
Voltei, blog. Foi a saudade que me trouxe pelo braço.
E o festival de Cinema de Penedo, hein Mácleim??
Abraços em todos.
Sóstenes

Escrito por Sóstenes Lima às 08h46
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Crônica do Proffa
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Rua Luzia Suruagy (a cem metros de um palácio)
Poderia ser uma rua qualquer, mas não! Ela é especial. Está a cerca de cem metros de um palácio... Tira-nos do sufoco diário, do trânsito caótico do meio-dia... Sua extensão é pequena e é estreita na largura... Lá no céu um mundo inteiro, cá na terra uma aventura... Vemos os olhos dessa rua, não têm brilho... Sentimos o seu cheiro, com máscara seria mais puro... Sua ornamentação é no mínimo exótica enfeitada por porcos em todos os lados com direito a tamanhos e texturas múltiplas... Vira e mexe estão ali entalados nas valetas ou abaixo da pequena ponte que temos obrigatoriamente que passar; seu valor inestimável na geografia possibilita o tráfego furtivo, ainda desconhecido da grande Maceió, que nos faz ultrapassar da Rua das Árvores ao Bomparto em minutos...
Inicia nos fundos do antigo Ceasa. Logo de primeira o odor lacrimal; em seguida, depois de alguns buracos para o desvio e o acumulo de lama que vem do braço de riacho, subimos a ponte onde do seu lado esquerdo tem uma barbearia (que geralmente está cheia), do lado direito um lixão exemplar, digno de um estado rico (que não é o nosso caso) e sem compromisso moral com a população (este sim), bem junto a um curral; algumas casas depois, a igreja evangélica; cinco metros após tem dois barzinhos, um defronte ao outro, normalmente com pessoas pra lá de sorridentes, não sabemos se pelo ar ou o aguardente, sabemos que em dia frio ou dia quente estão por lá; andando mais uns metros, do lado direito, um armarinho com sua vitrine a luz do dia mostrando suas roupas com uma plaqueta: "qualquer peça R$ 5,00"; mais quinze metros um quebra-carro (Não companheiros, aquilo ali não é um quebra-mola!); se tropeçarmos, cairemos de frente ao bar da sinuca que é uma festa só: crianças e velhos numa fraternidade indefinida, como se a jogatina desse o puro alimento à própria vida; tem a serralharia no lado direito e a lojinha de eletrônica no lado esquerdo; do mesmo lado só que na frente, onde nunca vimos um pingo de gente tem a mercearia; no final da rua a padaria, a cabeleireira e a escola, e nós a fim de irmos embora para poder chegar em casa e brincar com nosso filho... E sonharmos novamente, de ser gigante, de ser herói, um astronauta ou um cowboy... Dar vida aos sonhos...
Sim! Já sonhamos em ser príncipe, morar em castelos e salvar as donzelas dos dragões...
Um forte abraço e Viva a Villa Caeté!
Maceió, 21 de outubro de 2008.
Eduardo Proffa
(Morador da Villa)
eduardoproffa@yahoo.com.br
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Novos endereços, o Yahoo! que você conhece. Crie um email novo com a sua cara @ymail.com ou @rocketmail.com.
Receba GRÁTIS as mensagens do Messenger no seu celular quando você estiver offline. Conheça o MSN Mobile! Crie já o seu!
Escrito por Sóstenes Lima às 19h13
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Tempos Modernos, por Mácleim
Tempos Modernos
TUDO NÃO PASSOU DE UMA RELES CÓPIA DO CONCEITO JÁ UTILIZADO NAS PARTITURAS DE JOHN CAGE.
Cena 1: Festival de Cinema de Penedo
O público começa a chegar. Terá início a avant-première do filme que a partir dessa sessão estará em cartaz nos melhores cinemas do ramo. Aparentemente heterogêneos, os cinéfilos merecem sim, sob o ponto de vista coletivo, o rótulo de “público cabeça”, cujo destaque vai para a individualidade excêntrica de cada espectador.
Cena 2: Nouvelle Film Caeté (co-produção do “G5 alagoano”)
Começa o filme, toca mais um celular, espirros, tosses, pipocas ruidosas em bocas ávidas, tudo dentro da normalidade de uma sessão que se convencionou chamar de cinema de arte. Créditos na tela, trilha sonora apoderando-se do sistema sound round, personagens sendo apresentados em movimentos frenéticos da câmera estiloza dos diretores. Lentamente a atenção do público vai sendo capturada e, lá pelos vinte minutos de projeção, já não se ouve mais o barulhinho irritante dos sacos de pipoca sendo assediados por mãos gulosas. Talvez, os sacos já estejam vazios e descartados ou então o filme finalmente conseguiu alimentar outros sentidos lúdicos/gustativos.
Cena 3: Chock
A exibição é interrompida abruptamente com um corte seco de imagem e som. Aliás, mais do que seco, o corte é sertânico, satânico, enfim... A tela fica cega e muda. Por quase três minutos não se vê nem se ouve absolutamente nada, a não ser um chiado intermitente com pequenas e bruscas variações de freqüência.
Cena 4: Suspense
Platéia passivamente calada e absorvida pela visão do nada, projetado na tela. Ligados no que não acontecia, ou no que poderia acontecer, os cinéfilos como que paralisados vêem, ou melhor, apenas sentem os minutos passarem à revelia dos seus cérebros que, na condição pouco reveladora da sala escura, sabe-se lá o que pensam.
Cena 5: Bla Bla Bla
Saída do cinema. Comentários da platéia dividida em opiniões e expressões gestuais. Uns, procuram justificar uma modernidade forçada. Outros estão perdidos entre a realidade e a fantasia, na procura da originalidade, o que provoca opiniões non sense. Um senhor de barbicha, afaga-a dramaticamente e sentencia: “a anticontextual e pouco ortodoxa idéia dos diretores em expor nosso livre pensamento, propondo uma interação factual com o filme, durante a predominância do vazio, foi um avanço. Daqui pra frente, a exemplo do cinema-novo, o cinema alagoano terá definitivamente seu lugar no pódio das vanguardas pós-modernas”. De imediato é contestado pelo amigo: “bobagem, tudo não passou de uma reles cópia do conceito já utilizado nas partituras de John Cage.” Enquanto isso, a mocinha moderninha e descolada desiste de procurar alguma coisa no mochilão e esclarece para a turma: “Demorou mermão, foi chocante, tá ligado? Hiper-irado e totalmente conceitual a ausência de imagem e som, ta ligado? Se liga aí, quebrou o barato da cena anterior, careta e entediante.”
Cena 6: Final(mente)
Cinema vazio. Copos de refrigerante e sacos de pipoca abandonados, secos, murchos, esquecidos, prontos para a reciclagem. Corta a cena para a sala de projeção e o técnico, meio que injuriado e resignado, comenta com o lanterninha: “assim não dá, pô! Já falei, se não concertarem logo a porcaria desse projetô(sic), daqui pra frente vai ser sempre essa merma fulerage(sic). Ainda bem que essa galera ficou pianinho e eu não acendi a luz”. Dito isso, da um chute na velha maquina, pega a Playboy de sempre, apaga a luz da cabine e vai embora.
Ficção ou não, pela segunda vez, foi adiada a volta do Festival de Cinema de Penedo.
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Escrito por Sóstenes Lima às 14h32
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Eu e a Lemniscata
Eu e a Lemniscata
Para a grande maioria dos humanos do sexo espermatosante, aventurar-se pelos meandros do universo feminino é como assistir a um jogo do CRB, na atual série B do campeonato brasileiro. Sabe-se que a derrota, seja lá qual for o adversário, são favas contadas, mas uma mórbida curiosidade instiga-os a comparecer ao estádio. O que se repete em cada jogo do “galo” também acontece a cada tentativa de compreensão, cognitiva ou não, dos campos ovulados. Se o futebol já foi definido como uma caixinha de surpresas, onde o imponderável sempre pode acontecer (com exceção do CRB, é claro), a capacidade feminina para alteração da rota, inesperadamente, ao menos parece ser sinalizada. Porém, é aí onde repousa a casca da banana e o charme da questão. Nem sempre, ou quase sempre, não nos é concedida à clemência de decodificar tais sinais. Talvez, não sejamos capazes e, por isso, não aprendemos ainda. Talvez, nunca sejamos e não faça mesmo nenhum sentido em sê-lo.
Com o tempo, e a persistente (má)intenção do approach e seus deliciosos desdobramentos, detalhes quânticos e porosos “desde a serra da barriga, às grutas do coração”, como canta Gilberto Gil, são setas para a interpretação de alguns sinais onde vislumbramos algumas conclusões Auxiliadoras, Aparecidas, Graças, Lindas, Belas, Rosas, Brancas e afins. E nada é exatamente o que parece ser. Tudo carece de tradução pelo refinado código dos sinais encantadoramente femininos.
Se o contato é verbal, tecnicamente, o indicado é gravar em MP3 e depois escutar em reverso, de trás pra frente. Funciona como revelar uma fotografia não-digital: impressiona pela quantidade de informações não percebidas no momento do clik. Porém, se for escrito, tipo e-mail ou sites de relacionamento, preste muita atenção no real significado de cada palavra. Quase nunca estará aparente. Cada palavra terá um sentido subliminar.
Neste ponto é fundamental alguma experiência, geralmente adquirida muito mais pela recorrência do que pela real compreensão dos signos femininos. Se de repente ela começar a se despedir com a palavra AMIGO, assim com maiúsculas, desista! Parta para outra, porque você, em algum momento, demonstrou que não tem a intenção de ser amiguinho dela, e, ela, nem isso. Aliás, tem casos que nem carece de tradução, a não ser pelo fato do comportamento masculino ser diametralmente oposto. É quando, por exemplo, o papo vai evoluindo, evoluindo... e, de repente, ela some sem avisar. Às vezes, reaparece meses ou anos depois, como se nada tivesse acontecido. A dica é a mesma: desista! Parta para outra, não fique alimentando ilusões. Apareceu alguém nada virtual e o recado foi dado sem sequer uma frase que denuncie a fuga.
Já que o Gil foi citado, e até por uma questão de equilíbrio na dose do dendê, cito também o Caetano Veloso quando ele canta que não tem inveja das mulheres em uma série de coisas, menos da longevidade e dos orgasmos múltiplos. Pois bem, se inveja eu tivesse, teria do Chico Buarque que conseguiu de todas elas a complacência e generosidade em admitir a possibilidade de um homem traduzir a alma feminina em canções.
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Escrito por Sóstenes Lima às 17h05
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Agenda semanal
Agenda Tudo Mais
Clique no link.
http://www.tudoalagoas.com.br/Agenda%20Alagoas%20eh%20Mais%20Cultura.htm
Escrito por Sóstenes Lima às 08h36
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