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Porto Musical 2009

Revolucionário da rádio pública
 
 
Com uma lógica de programação ampla, que reflita a sociedade, Patrick Torquato - ou DJ Patrick Tor4 - criou sua marca; ele vai falar sobre o papel das emissoras no Porto Musical
Michelle de Assumpção
michelleassumpcao.pe@diariosassociados.com.br


A discussão sobre rádio pública e seu papel na potencialização e democratização da cultura musical já esteve mais

Tor4 critica modelo da Universitária FM, da UFPE, e diz que sonha com a Frei Caneca no ar. Foto: Edezio Aragao/Divulgacao
acirrada no Recife. Quando a cidade experimentou o boom de bandas musicais, a partir dos anos 90, o tema foi exaustivamente tratado em discussão que envolvia músicos, produtores, gestores públicos e mídia. Nada aconteceu. A cena musical do Recife sobrevive sem as rádios até hoje. A questão, no entanto, permanece sendo o grande gargalo da cadeia produtiva deste segmento. Por esse motivo, deve ser de grande audiência o debate que acontecerá no Recife durante a programação da conferência internacional sobre negócios da música, o Porto Musical. Patrick Torquato, também conhecido como DJ Patrick Tor4, é um dos principais nomes na gestão de rádios públicas no Brasil. Atualmente é coordenador artístico da rádio Cultura FM, do Pará. Sua palestra é sobre O papel da rádio pública na promoção das cenas culturais locais.

O convite para atuarno Pará surgiu depois que Tor4 deixou sua marca como diretor da Aperipê FM, em Sergipe. O exemplo da atuação da rádio dentro do estado é considerado como o novo panorama do radialismo público no Brasil. Aquele que comunga com a diversidade estética, com os talentos locais, com os sucessos do passado, do presente, bem como o anônimo que merece espaço, de hoje e também da antiga geração. Com a preferência pelo artista que não encontra espaço nas emissoras comerciais, apesar de produzir um trabalho de qualidade, independente do segmento. O radialista, que também faz as vezes de DJ, chegou a criar a "teoria do bloco musical", para orientar os programadores para na construção de uma grade musical plural , ao mesmo tempo, esteticamente coesa.

Patrick é graduado em Rádio e TV, mas não foi na universidade, e sim a partir de um vasto conhecimento musical, aplicado depois nos estúdios, que passou a revolucionar o conceito de rádio pública. Trabalhou com produção de eventos em Aracaju, morou em Salvador no auge da axé music, passou pelo Recife e outras capitais. Formou seu caldeirão sonoro nas andanças pelo país e no gosto desde moleque pela música que, ironicamente, não tocava nas rádios. Uma vez empregado, os artistas do chamado mercado "independente" passaram a ser seu principal arsenal. No programa da Aperipê FM, que o consagrou como radialista diferenciado, ele tocava de Gorillaz a Cordel do Fogo Encantado. As notas elogiosas na crítica especializadas deram uma projeção bacana ao trabalho de Tor4.

"Quando eu assumi a programação tentei estruturar essa lógica. A concessão de uma emissora pública tem que ter trabalho amplo, cultural, uma programação que reflita a sociedade, o que está acontecendo. Não é a coisa chata da MPB dos anos 80, instrumental, música clássica. Isso remonta a outro momento da rádio pública", critica Patrick, citando inclusive a Universitária FM, da UFPE, como uma emissora que ainda não acompanha o novo modelo. "A única coisa que é certa na programação dessa rádio é tocar só frevo no carnaval", coloca. A FM pública pernambucana também não faz parte da Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub), da qual Tor4 é o presidente.

"No final do ano passado começamos a nos organizar para cobrir o Fórum Social Mundial, que ocorreu em Belém. Eles (direção da Universitária FM) responderam nossos e-mails dizendo que tinham interesse em participar do nosso pool de emissoras. Foi o primeiro esboço de tentar se envolver com alguma coisa, mas eles têm problemas técnicos", diz o radialista e DJ, que confessa tocar em sua programação todos os lançamentos da música pernambucana. Patrick toca ainda em outro "calo" deste tema, em Pernambuco. "Eu tenho sonho muito grande que entre no ar a Frei Caneca. Estão perdendo a população e a comunidade artística", reflete.

Além da palestra, no dia 19 de junho, Tor4 faz discotecagem no praça Arsenal da Marinha (local dos showcases do Porto Musical), na noite do dia 18. Junto com o pool de emissoras da Arpub, ele também produzirá conteúdo coletivo para transmissão do Porto Musicalpara todas as emissoras associadas, através do mesmo satélite que transmite a Voz do Brasil.

 



Escrito por Sóstenes Lima às 09h16
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Porto Musical

» CONFERÊNCIAS E SHOWS
Junho é o mês de Porto Musical
Publicado em 28.05.2009

 

Evento reúne representantes de selos, gravadoras, sites, festivais, enfim, todos que têm interesse nas novas tendências do mercado da música

José Teles

 

O Porto Musical, que será realizado, pela quarta vez, no Bairro do Recife, de 17 a 21 de junho, volta a acontecer de forma independente, ou seja, sem estar atrelado à Feira de Música Brasil, prevista para setembro. Não é que tenha sido ruim para o Porto Musical, mas a feira acontece apenas duas vezes no mesmo Estado, então passa para outra cidade, comenta Paulo André Pires, da Astronave Iniciativas Culturais, produtora do Porto Musical, por sinal, a primeira ação da poderosa Womex (a grande feira de world music) fora da Europa: Comecei a frequentar a Womex a partir de 1995. Conheci os caras que fazem a Womex e eles se interessaram por Chico Science & Nação Zumbi, depois pelo Cascabulho e pela Cabrueira. Tivemos uma reunião em 2003 e, como já conheciam bem a música pernambucana, surgiu esta oportunidade de criarmos o Porto Musical, diz Paulo André.

Apoiado pelo BNDES, Ministério da Cultura e Governo do Pernambuco/Fundarpe, e tendo como parceiro o Porto Digital, o Porto Musical reúne representantes de selos, gravadoras, sites, promotores e agentes musicais, festivais e instituições culturais, além de pessoas interessadas e antenadas às novas tendências do mercado da música. As conferências serão no auditório do Porto Digital e no Teatro Apolo. Este ano traremos mais uma vez nomes importantes como, por exemplo, Christian Dittmar, do Fraunhofer Institute, onde foi inventado o MP3, continua Paulo André, que destaca outros nomes importantes, tais como o de Jonas Woost, da Last.FM, rádio online criada na Inglaterra, com milhões de usuários mundo afora, e dona do maior catálogo musical na internet.

Entre os convidados estão personagens que fizeram a história da indústria musical no século passado, tais como André Midani e Seymour Stein. O primeiro, todo poderoso chefão da Phillips no Brasil nos anos 70 (hoje Universal Music). O segundo, um dos fundadores da Sire Records e responsável pela contratação de estrelas como Madonna, e bandas punk e new wave dos EUA e Inglaterra  Ramones, Pretenders, Talking Heads, Echo and the Bunnymen. Embora estes caras tenham feito história e tenham muita coisa para contar, o que interessa discutir no Porto Musical é o futuro do mercado, comenta Paulo André. As conferências serão divididas em três plataformas: Go International! (com abordagem de temas ligados à exportação de música brasileira), Go Brazil! (com proposta de mostrar os rumos do mercado para quem pretende lançar artistas no Brasil) e Go Digital! (que trata da interação cada vez maior entre música e tecnologia). O objetivo é capacitar e estimular a criação de redes de profissionais, trocar conhecimentos, fazer contatos e gerar negócio. Para os interessados em conhecer os meandros do mercado musical nacional, é imperdível a palestra com o produtor Beto Villares.

SHOW CASE A Torre Malakoff será a base de operações do Porto Musical. No lado externo será montado o palco onde acontecerão as apresentações musicais, ou show cases (gratuitos), que serão abertas, às 19h, por Siba Veloso e Roberto Corrêa, que mostram o repertório do disco que lançaram este ano, o elogiado Violas de bronze. Entre os músicos que se apresentam no Porto Musical estão Burro Morto (PB), Naurêa (SE), Orquestra Contemporânea de Olinda (PE), Alessandra Leão (PE) e Curumim (SP) e Mad Professor (Guiana). Cada show case tem participação de um DJ. O sábado será dedicado a um gênero normalmente ignorado por eventos do gênero, o forró, com Chiquinha Gonzaga, Karolinas com K, Herbert Lucena, Josildo Sá (por coincidência, todos pernambucanos) mais o DJ alemão, Robert Soko: Realmente, forró raramente é incluído em eventos deste tipo, mas não é por discriminação, os próprios forrozeiros não se ligam muito nestas coisas. O que aconteceu agora foi uma parceria com a prefeitura, porque o Porto Musical acontece muito perto do São João. Até agora o único forrozeiro que conseguiu um mercado lá fora, assim mesmo também cantando outros ritmos, foi Silvério Pessoa, porque nunca foi feito um trabalho no sentido de exportar o forró. Mas eu acho que o forró tem potencial para ser vendido para o exterior. Já coloquei alguns grupos de forró, como o próprio Silvério e o Chá de Zabumba, no Abril Pro Rock. Queria que Maciel Melo estivesse nesse show do sábado, mas ele está com dois compromissos na mesma noite, explica Paulo André, acrescentando que as demais atrações convidadas para o Porto Musical foram escolhidas pela potencialidade que possuem de atrair produtores internacionais.

 

Durante a realização do Porto Musical, acontecerá a primeira reunião da Abrafin  Associação Brasileira de Festivais Independentes: Será uma oportunidade de juntar todos estes produtores que estarão no Recife, diz Paulo André, acrescentando que estão vindo caravanas do Sebrae, de Fortaleza, Natal e João Pessoa: Também vem muita gente da América Latina, Europa. Nas últimas edições, 30% das pessoas que compareceram ao Porto Musical eram de outros países. As inscrições para as conferências podem ser feitas no www.portomusical.com.br, e pagas em boleto bancário, ou cartão de crédito. Custam R$ 80 (antecipado) e R$ 100 (na semana do evento).

teles@jc.com.br


Escrito por Sóstenes Lima às 08h45
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Mais uma perda

Morre o músico Zé Rodrix, aos 61 anos, em São Paulo

 
O cantor e compositor Zé Rodrix, 61, morreu na madrugada desta sexta-feira (22), em São Paulo. O músico deixa mulher, seis filhos e dois netos.

Veja imagens da carreira de Zé Rodrix
Saiba mais sobre a carreira de Zé Rodrix
Ouça sucessos do cantor e compositor

Drika Bourquim/Divulgação

Zé Rodrix ganhou destaque na música durante a década de 70, ao lado de Sá e Guarabyra

Zé Rodrix ganhou destaque na música durante a década de 70

ao lado de Sá e Guarabyra

De acordo com informações do "Bom Dia São Paulo", o músico se sentiu mal e foi levado às pressas ao Hospital das Clínicas, onde morreu.
A assessoria de imprensa do hospital afirma que o músico deu entrada às 0h30 e morreu às 0h45. A causa da morte ainda não foi informada.
Rodrix, cujo nome de batismo é José Rodrigues Trindade, apareceu para o grande público em 1967, em um festival da Record.
Sua carreira ganhou destaque nos anos 70, quando trabalhou com o grupo Som Imaginário --banda criada para acompanhar uma turnê de Milton Nascimento-- e ao lado dos músicos Sá e Guarabyra. O trio se transformou em ícone do chamado "rock rural".
Entre as canções mais famosas de Zé Rodrix estão "Casa no Campo", famosa na voz de Elis Regina, "Mestre Jonas" e "Soy Latino Americano".
Nas décadas de 80 e 90, Rodrix abandonou a carreira musical para se dedicar à publicidade.
Em 2001, voltou a se reunir com os companheiros Sá e Guarabira para uma apresentação do "Rock in Rio". No mesmo ano, o trio lançou um DVD ao vivo, reunindo seus maiores sucessos: "Sá, Rodrix & Guarabyra: Outra Vez Na Estrada - Ao Vivo".



Escrito por Sóstenes Lima às 10h40
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Vida de artista de volta



 

 Queridos amigos
 
É com muita alegria que comunico a estréia do programa Vida de Artista na TV Educativa (ver imagem), no dia 29 de maio, às 22 horas. Depois da estréia, temos encontro marcado sempre às sextas-feiras, com reprise aos sábados, domingos e quartas-feiras.
 
Quero dividir esse momento com vocês que sempre prestigiaram o programa na rádio (que vai voltar em breve). Sua companhia vai me deixar super feliz! É a nossa arte em foco!!!
 
Obrigada e um beijo grande com meu carinho
 
Gal Monteiro

 



Escrito por Sóstenes Lima às 09h33
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Texto do Mácleim

 

Pão e Circo

 

      Não me peçam para fazer com os outros o que eu não gostaria que fizessem comigo

 

          Qual o significado da palavra galera? Pelo Aurélio, o do dicionário, galera significa; 1-Antigo navio à vela, de três mastros. 2- Carroça para transportar bombeiros, em serviço de incêndio. Significa também, gíria brasileira: 1-Torcida. 2- Turma. E qual seria a etimologia dessa palavra? Uma das origens está nas galés. Galé era uma antiga embarcação de guerra, longa e estreita, impelida por grandes remos. Mas, a quem cabia manipular os tais remos? Bem, cabia a uma “turma” de prisioneiros que havia cometido crimes pesados, cuja pena era o trabalho forçado, condenados a remar em galé, acorrentados aos pés, sob o açoite de chibatas. Obviamente, subjugados a um comando que os fazia agir de forma coordenada, repetitiva, submissa e obediente. Qualquer semelhança com o carnaval baiano é mera coincidência.

       É Claro que você pode até questionar: “pôrra meu”, pra que essa história toda com a galera? Se o fizer, admitamos: foi contaminado(a). Não pelo vírus da moda atual, mas pelo Faustão do Domingão, Domingão do Faustão, ou coisa que o valha. Galera e Pôrra meu! São termos com os quais o apresentador Fausto Silva se dirige ao público e a audiência do ‘seu’ programa. Tudo bem, há quem goste e não esteja nem aí para o viés aqui posto. Mas, por favor, sem qualquer arrogância, prefiro preservar minha consciência crítica.

       Pois bem, de tanto receber solicitações e apelos para votar em alguns bem-intencionados artistas de Alagoas, que enviaram vídeos para o quadro “Garagem do Faustão”, fui conferir do que se tratava. Detesto prejulgar as coisas. Mas também detesto, por livre arbítrio, me perceber um idiota perdendo tempo. Bingo; não deu outra. Era mesmo surreal esperar algo diferente daquela domingueira estrutura mediocrisante. Encontrar ali alguma coisa que fosse além da realidade criada para estimular, semanalmente, o empobrecimento cultural e o desintelecto do incauto telespectador brasileiro seria utópico, pelo caldo ralo da televisão comercial brasileira.

        O que vi foi a música – para um olhar desatento, música brasileira - ser ridicularizada; de modo caricatural, onde poodle e homem se harmonizavam pela ‘qualidade’ do que exibam.Tudo, sob as gargalhadas do apresentador e exclamações de: pôrra meu! Nada ali foi capaz de abalar minha convicção de que não haveria mesmo qualquer lógica em supor que, a música, como expressão artística e estética, teria espaço sob o crivo pernicioso dos mentores do tal programa.    

        Pelo que eu conheço da produção musical de um dos músicos alagoano, que sucumbiu aos apelos midiáticos - suponho que com absoluta boa-fé –, mandou um vídeo e fez circular pedidos de apoio pela internet, percebe-se que a produção do tal programa, se quisesse, se tivesse o propósito de apresentar um outro panorama da realidade musical brasileira, poderia contribuir e muito para uma significativa mudança de rumos. Bastaria privilegiar músicas e artistas com conteúdo harmônico, melódico e estético. Afinal, para a grande maioria dos brasileiros, sucesso ainda é aparecer no Domingão do Faustão.

       Porém, a impressão que o quadro Garagem do Faustão consegue passar é de que o que se produz musicalmente no Brasil é apenas aquilo selecionado e apresentado por eles. Qualquer um - estrangeiro ou brasileiro - que tenha parâmetros musicais, assistindo a tamanha exibição de mediocridade, percebe o quanto é pernicioso, mal intencionado e nem de longe traduz o país admirado e respeitado, mundialmente, pela musica que produz. Mas, enfim, pão e circo para quem é de pão e circo.    

       Portanto, encarecidamente, suplico aos que solicitaram meu voto: não me peçam mais para votar em ninguém. Não me peçam para fazer com os outros o que eu não gostaria que fizessem comigo.

 

www.macleim.com.brwww.myspace.com/macleim


 



Escrito por Sóstenes Lima às 08h14
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Uma boa notícia


Aval para Espaço Cultural do BNB, no Jaraguá, inaugura novo momento cultural para Alagoas

Secretário de Estado da Cultura diz que parceria do banco com Governo de Alagoas vai reforçar ações conjuntas de incentivo à cultura

 

Categoria 
Quando 06/05/2009
de 11:26 até 11:26
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Graça Carvalho

 

 

O sinal verde para instalação de um espaço cultural  do Banco do Nordeste, em Alagoas, nos moldes dos que a instituição já dispõe no Ceará e na Paraíba, animou o secretário de Estado da Cultura, Osvaldo Viégas. Para ele, a disposição do governador Teotônio Vilela Filho de ceder o espaço, em comodato, inaugura um novo momento cultural para Alagoas.

 

“Além de ganhar mais um espaço cultural, Alagoas passará ser incluído no circuito dos programas que o BNB executa, juntamente com parceiros importantes em todo o país, nas artes visuais, teatro, dança e projetos ligados ao incentivo à leitura e formação de público”, ressaltou Viégas.

 

O secretário de Cultura aposta no sucesso da reunião do governador com presidente do BNB, Roberto Smith,  na próxima semana, quando vão ser ajustados os detalhes da cessão do imóvel, aprovado  como local adequado pelo Estudo de Viabilidade Arquitetônica, apresentado ontem pelo arquiteto José Capelo Filho, consultor do BNB.

 

 A proximidade do imóvel - localizado na Rua Melo Povoas, no Jaraguá – com o Centro Cultural e de Exposições de Maceió, na avaliação de Viégas, é outro ponto positivo para a instalação do Centro Cultural do BNB. “A localização do novo espaço cultural, bem próxima ao Centro de Convenções vai reforçar a captação de público para eventos e estreitar ainda mais a parceria do BNB com o Governo do Estado, na promoção de uma série de atividades culturais”, ressalta Viégas.

 

Estimado em  R$ 5 milhões, o projeto deve garantir a  reforma e readaptação do imóvel, que vai contar com  espaços para artes visuais, teatro (ambientes internos e externos), dança e uma biblioteca, com capacidade para 30 mil volumes, além de local para instalação de um telecentro.

 Governador aprova projeto do Centro Cultural Banco do Nordeste

 

 

 



Escrito por Sóstenes Lima às 08h27
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Você, músico, compositor, técnico, produtor, ou engajado em alguma atividade relacionada com o mercado musical, venha participar do encontro com o músico e ativista cultural Makely Ka, diretor da COMUM (Cooperativa da Música de Minas).

 

Na ocasião iniciaremos o processo de criação da COMUSA (Cooperativa dos Músicos de Alagoas), que congregará profissionais da área musical e os representará juridicamente, em suas prestações de serviços e criações de produtos musicais.

 

Democraticamente, a COMUSA possibilitará a divulgação e difusão do trabalho de todos os seus membros, representando-os em feiras e rodadas de negócios, estabelecendo, firmando parcerias e convênios, no âmbito municipal, estadual, federal e internacional.

 

Compareça no dia 11 de maio, às 19h30min, no SEBRAE.

 

Uma iniciativa do Fórum Permanente de Música de Alagoas, com apoio do SEBRAE-Alagoas e da Fundação Municipal de Ação Cultural de Maceió.

 

Informações: (82) 9981-8464  / 9905-5506

 

 



Escrito por Sóstenes Lima às 20h23
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Texto do Mácleim

     

Volto a postar um texto depois de algum tempo. Estive viajando. Mácleim aqui fala do tempo. Algo que me tem faltado. Grande abraço.


 

Ao tempo: em tempo

 

 Se, “Os olhos não servem para ver as almas” (João Inácio Padilha), “A beleza não está no que vemos, e sim no que sentimos” (Mário Quintana)

 

                                                                                         

Óxido

 

        A princípio era monólito. Estático, como se só Van Gogh pudesse propor um único girassol de pedra arrebatando a tela. Sem movimento, sem luz, sem vida. Tudo parecia atípico e insólito à cena. Até o tempo era apático, inerte. À espera dele mesmo, que não passava. O tempo contrariava sua essência. Era a metáfora de um relógio travado, com os ponteiros sobrepostos, onde o ponteiro dos minutos cabulava as horas. Fixas em si, horas ardis paralisam, aprisionam tudo, todos.

         Vê-lo, era claustrofóbico. Como se uma camisa-de-força se apoderasse do espectador, imobilizando-o pela terceira lei de Newton. Tamanha rigidez era mais que cadavérica. Não havia vestígios da maleabilidade implícita aos 220 tipos de tecido humano. Pele, músculos, sangue, tudo era óxido. Mecanismos enferrujados, intransponíveis a qualquer força motriz...

          Até uma mosca pousar em seu nariz.   

 

                                                          X XX

              

Fluido

 

         Tudo o que desejavam era chegar ao castelo medieval, em Carcassonne. Era primavera e os campos floridos passavam alegres, iluminados, coloridos, aromáticos; na velocidade do trem. Passavam pelas janelas, pela ansiedade dos dois; dos postes, das ruas, dos sonhos, das casas, das vidas, das vozes, do trem... Móbiles panorâmicos. Nada tinha porque parar. Os movimentos contínuos e frenéticos, de dentro e de fora para dentro do trem, revolviam pensamentos, ebuliam expectativas, passavam, passados. Tudo em antítese. Setas em porvir.

         O futuro acabara de chegar. Eis o castelo e suas torres bailando entre nuvens e névoa. Ruelas e escadas sinuosas a espera e a espreita dos dois. Já não havia pressa. O castelo estava ali, a um passo do movimento giratório dos portões. Agora, o castelo girava, girava, e girava cada vez mais veloz. E os dois, em órbita, felizes, sorridentes, crianças outra vez. Onde mais poderiam estar? Entre eles e o castelo, um carrossel. Entre o carrossel e eles, o futuro medieval.

        

www.macleim.com.br

 

Figura retirada do site: http://www.estradar.com/wp-content/uploads/2007/10/tempo-2.jpg



Escrito por Sóstenes Lima às 09h40
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A Villa Caeté em REVISTA § A Villa Caeté em REVISTA § A Villa Caeté em REVISTA

Entre & Vista A Villa

 

Acompanho o trabalho desse músico há anos... Conheci seus primeiros escritos através de um amigo em comum, Denis Ubirajara (o Bocão), havia muita sensibilidade nas palavras... Anos mais tarde nos encontramos em diversos festivais de música que participamos (inclusive o FEMUSESC) e cresceu a admiração pelo talento e honestidade com que faz a sua trilha cultural... Senhoras e senhores divido com vocês o talentoso... Sóstenes Lima...

 

 

 A Villa - Quem é Sóstenes Lima?

       

Sóstenes – Sou só um vivente que vê e ouve. Procuro estar atento, prestando atenção em cores, sons e sentimentos. Para mim um artista é um cronista do seu tempo. Sinto-me assim. Creio que tenho histórias para contar. E busco contá-las através do meu trabalho.

               

A Villa – Poesia ou Música, quem chegou primeiro? Como foi o despertar? Como foi a união?

              Sóstenes – Venho de uma família musical. Meu pai foi cantor de programas de rádio. Entretanto, a poesia veio antes. A música foi uma maneira que encontrei de conferir força à palavra. Tinha muita vontade de musicar meus poemas. Ganhei um violão de minha mãe aos dezesseis anos e isso foi um marco na minha vida. Mas essa cronologia logicamente não é tão linear.

A Villa – Sua poesia transita muito bem entre o amor e a natureza. Como é estar leve e atento, e tendo que enfrentar a rotina diária?

              Sóstenes – Gosto de contar histórias. As minhas e as das pessoas. Daqueles que sei, dos que não vi e dos que invento. A vida é assim. Transitamos entre sentimentos e o fazer história, entre o produzir e transformar a natureza. Escrevo aquilo que me toca, que me emociona. A rotina, ainda que às vezes seja o lado menos poético da vida, também serve de subsídio à inspiração.

A Villa – No dia a dia você é um artista que sobrevive como trabalhador comum? Ou, é um trabalhador comum que vive devido à arte? Essa dualidade dificulta, ou não, uma entrega total? Por quê?

              Sóstenes – Trabalho no serviço público. Não sobrevivo da arte. Talvez nem seja um artista. No entanto necessito da arte para viver. Não suportaria a vida sem ela. Adoraria fazer dela o meu sustento, mas vivemos num país em que viver da cultura, com dignidade, é coisa para muito poucos. Lógico que eu produziria muito mais arte se não tivesse que desviar minha energia para o sustento material.



Escrito por Sóstenes Lima às 10h51
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A Villa – Falando especificamente da música. Quais foram os Grupos que você participou? E, o que representam ou representaram para a cena Caeté?

              Sóstenes – Comecei no Arte Nova, em 86, na universidade, grupo que mais tarde se chamou Âmago de Rio. Compúnhamos juntos e foi aí que solidifiquei o meu desejo de ser compositor. Fizemos um único show e o grupo se desfez. Somente eu prossegui. Depois veio a banda Êxodus, gospel, que posso dizer que foi um marco dentro desse segmento aqui em Alagoas. Foram 10 anos. Em 2000 montei o Vestindo a Carapuça, inicialmente com remanescentes da Êxodus, e passei a trabalhar meu projeto solo a partir de 2005. O Vestindo a Carapuça foi um projeto coletivo que consolidou diversos talentos que depois tocaram seus projetos individuais. Posso citar o Marcos Farias, o Jasiel, no Caçuá, a Ezra Mattivi, a Miran Abs, o Wilson Miranda, de certa forma, o Tércio Smith, dentre outros. Acho que sou só uma notinha de rodapé no contexto da nossa cena musical.

 A Villa – Você participa e participou de vários Festivais. Seu amadurecimento vem daí? Qual a importância dos Festivais de Música da atualidade alagoana? As fórmulas estão corretas? O que fazer?

              Sóstenes – Comecei a participar de festivais dentro da universidade, nos anos 80, mas o amadurecimento se deu dentro do circuito Gospel com e Êxodus. Ganhamos festivais, entramos em estúdio, viajamos. A partir de 2000 resolvi colocar meu trabalho “à prova” em festivais competitivos. Fiz diversos: Avaré (SP), IBM Festival, Maringá (4 vezes), Itumbiara (GO), Sesc de Aracaju, Sesc de Alagoas, Lusavox, através da Irina Costa e IZP, dentre outros. É uma grande escola e uma oportunidade de reciclagem, de estabelecer contatos com outras sensibilidades musicais... Hoje eu entendo que a competição não cabe para a arte. Ela é muito subjetiva. Não contempla avaliação, já que pouca gente é isenta para reconhecer valor naquilo que não gosta. Aprecio as mostras. São uma forma de elastecer os horizontes de quem faz e de quem ouve. A possibilidade de convivência sem o julgamento de quem é melhor ou não. Não gosto muito dessa coisa competitiva, já que nada há de mais subjetivo que o gosto pessoal e dos meandros das comissões julgadoras, nem sempre imparciais.

 A Villa – Você é um exímio vencedor de Festivais? Qual a fórmula mágica: Letra, melodia, arranjo ou intérpretes? Você é meticuloso?

              Sóstenes – Não faço música para festivais ou para determinadas finalidades que não o meu prazer e a minha emoção. Daí que não ligo para modismos ou fórmulas mágicas. Venci alguns festivais sim, mas não considero isso o mais relevante. O e festival IBM possibilitou-me abrir o show de nomes famosos da MPB como Zélia Duncan, Jorge Benjor e Adriana Calcanhoto, e isso foi muito mais gratificante.  A minha música é simples. Primo pela simplicidade. Valorizo, sobretudo a melodia.

A Villa Desde cedo você teve grandes parceiros, tanto na autoria musical quanto no palco. Sei que foram muitos, poderia falar sobre eles e o que pode sugar (no bom sentido, lógico) de cada um?

            Sóstenes – Observo e admiro bastante muitos artistas da cena local. Vou tentar dizer uma linha sobre alguns: O Tobias Jr. foi meu primeiro parceiro e incentivador. Tem uma capacidade incrível de elaborar melodias simples e maravilhosas; Fora e dentro do palco aprendi muito com o Baigon. Coisas que ele nem sabe que me passou. Especialmente sobre gravação. Era muito verde quando começamos a trabalhar. O pouco que aprendi devo a ele; Do Jr. Almeida admiro a tenacidade e a capacidade de lutar pelos seus projetos; O Mácleim chama atenção pela originalidade do seu som; A Fernanda Guimarães pela singularidade da sua voz e pelo seu humor extraordinário; A Irina Costa por ser toda emoção; O Vestindo a Carapuça todo (Ezra, Wilson Miranda, Tércio, Miran Abs, Márcio Almeida) pela harmonia da convivência dentro e fora dos palcos; O Toni Augusto pela velocidade de raciocínio musical... Tem muita mais gente. Vou me deter nesses. 

 A Villa – Suas composições já tiveram diversas roupagens através de maravilhosas interpretações.  Qual a importância do interprete para as suas composições? As canções tomam outra vida, outra plenitude? Comente.         

 

Sóstenes – Costumo dizer que o intérprete confere a uma canção uma nova vida, uma nova existência. Ouvir uma música minha na voz de outra pessoa me leva a perceber aspectos da canção que ainda não tinha me dado conta. Às vezes parece outra canção, tal a particularidade com que as palavras são projetadas, fazendo um novo sentido. Adoro ouvir minhas canções nas vozes da Leureny, da Fernanda Guimarães, da Irina Costa, da Ezra, do Tércio, do Marcos Farias.



Escrito por Sóstenes Lima às 10h50
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A Villa – Suas músicas tem muita particularidade. De onde vem sua fusão musical? Quais são suas escolas?

       Sóstenes – Ouvi e ouço muita coisa. No início, de um lado os mineiros (Clube da Esquina), do outro os nordestinos mais agrestes (Zé Ramalho, Fagner, Geraldo Azevedo), juntamente com os baianos (Gil e Caetano). Cada um deixou um quê de influência... Ouvi também muito rock, blues, jazz, enfim, um pouco de cada coisa. A minha música é a leitura pessoal e transformação daquilo que gosto e de tudo que ouvi dentro da minha limitação em traduzi-lo. Não sou um musicista, minha música é intuitiva.

 

A Villa – Quantos CDs gravados (coletâneas e solo)? Comente-os.

       Sóstenes – Tenho um CD solo, o Todas as Carapuças, e participação em inúmeras coletâneas de festivais. Posso citar Alagoas em Cena, Palco Aberto 1 e 2, FestSinhá, 4 edições do festival do SESC local, 3 edições do FEMUCIC de Maringá, Coletânea Nordeste Independente, Festival IBM, Festival do SESC de Aracaju, DVD do Festival da CUT, Música Solidária, Festival CBA Gospel, dentre outros. Tive músicas gravadas por Dulce Miranda e Airô Barros em álbuns individuais.

 

 A Villa – Sua experiência “Blogueira” é inconteste. Qual o papel fundamental da internet, hoje, para o artista moderno? Por quê?

      Sóstenes – A internet é a feira moderna. É a grande possibilidade de ver e ser visto. Não só para os artistas, mas para todos que tenham um produto, ainda que seja a sua própria vida.  Escrevo um blog, o www.sosjatiuca.zip.net, embora ultimamente esteja um pouco arredio à escrita. É uma fase passageira, mas presente. Como a cadeia produtiva da música tem dificuldade de inserção no elo divulgação e distribuição, a internet pode ser um atalho, e funciona pelo menos como possibilidade. Preciso explorá-la melhor para a divulgação do meu trabalho musical.

   A Villa – Fale um pouco do seu mais recente Show “Do cordel ao Blog: Uma Viagem de Sonhos”.  Essa coesão entre o passado e o presente, remete-nos a um futuro?

       Sóstenes – A intenção do show foi mostrar a influência de diversos elementos em minha música. Desde os mais fincados nas raízes populares, aos mais universais, ditos modernos. Misturar música e literatura. Entendo que não há futuro sem que tenhamos as raízes sólidas e a real compreensão daquilo que somos, de que mescla física, espiritual e cultural somos formados.

 

 A Villa –  No geral. Quais são suas expectativas para a Cultura Caeté? O que vem de novo em 2009? Quais são suas próximas “conquistas”?

       Sóstenes – Não tenho grandes expectativas, confesso. Não vislumbro um projeto consistente para a nossa cultura por parte dos nossos gestores. A grande novidade é a gente mesmo. A nossa capacidade de inventar, de ser feliz, de criar e de viver... Esse ano pretendo concluir meu segundo CD solo, já iniciado e, pelo menos, dar continuidade ao trabalho do CD infantil em parceria com a Aline Angeli e a Irina Costa.

 A Villa - Seu momento para finalizar a Entre & Vista a Villa?

       Sóstenes – Meu momento é de tentar me entender. Coisinha difícil isso. Mas somente a partir de um processo de autoconhecimento verdadeiro é que podemos estabelecer as relações com as pessoas e com o mundo. Tenho tentado fazer isso da maneira mais pragmática possível. Nada muito filosófico. Não sei alemão e “está provado que só se é possível filosofar” (risos). Um grande abraço.

 



Escrito por Sóstenes Lima às 10h48
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Artigo do Mácleim


 

Substrato Surreal

 

O certo é que, tendo como origem minha convicção, o inexistente passa a existir pelo que dele se materializa

 

 

         Meu entusiasmo pela vida não permite que eu me sinta tão pré-histórico assim. Por isso, às vezes, me custa entender por que as pessoas são tão interrogativas quando, em algumas letras de músicas que escrevo, cito acontecimentos que vivenciei e que parecem estranhos aos apelos atuais da modernidade. Em uma dessas músicas, “João Balaio”, falo dos loucos de rua, na minha infância, e de alguns fatos do tempo da TV em preto-e-branco.    

        Confesso que não sei exatamente até que ponto minha imaginação bate o martelo e declara: “Isto, para você, de fato aconteceu. Agora, convença-os!” A partir de então, não se trata de uma mentira e jamais será pernicioso, no máximo será o substrato de uma realidade surreal. O certo é que, tendo como origem minha convicção, o inexistente passa a existir pelo que dele se materializa, embora, exista a possibilidade de nunca ter existido. Foi assim com “Panambiverá” (título do meu primeiro disco), que ainda hoje tenho a nítida certeza de que se trata do nome de uma espécie de borboleta, apesar desta teoria ter sido considerada descabida por alguns entomologistas -- “borboletistas juramentados” --, consultados por mim, quando decidi que este seria o nome da música que daria título ao disco.  Mas esta é uma longa estória que, em outra oportunidade (provavelmente por absoluta falta de assunto), contarei em detalhes. O fato é que agora existe, palpável, e para alguns, audível, algo que se chama Panambiverá. Mesmo que todas as tentativas de autenticidade tenham apontado para uma origem ilusória e fictícia.

         Da remota época da minha infância, lembro-me com saudade das novelas radiofônicas. Aliás, lembro-me de uma só: “O Direito de Nascer”, com seus personagens inesquecíveis. Mamãe Dolores, Albertinho Limonta, Isabel Cristina e Dom Rafael, povoaram o meu imaginário. Ainda criança, eu era cooptado para aquele universo, fascinado pela sonoplastia, pela sonoridade dramática dos diálogos e narrativa, sem saber o quanto aquilo significaria mais tarde para mim. Evidentemente, eu não tinha musculatura intelectual para entender o enredo que, entre outras coisas, abordava a questão do preconceito racial. O que me deixava quietinho na cozinha de casa, ao pé do rádio, alimentando minha alma enquanto minha mãe preparava os alimentos para o corpo, era a possibilidade que a novela me proporcionava de interagir, abstraindo-me; criando imagens sugeridas apenas pelos sons. Acho que foi aí, através do rádio e da literatura, que comecei a formatar minha percepção de que seria sempre possível, para mim e para qualquer pessoa, viajar pelas mais diversas latitudes da abstração. É por isso que minha expressão artística é apenas propositiva, sem qualquer outro tipo de pretensão ou efeito. 

 

WWW.macleim.com.br

WWW.myspace.com/macleim

 


Muito feliz o Mácleim no texto acima. Acontece por demais com quem milita no campo artístico esse transitar entre o real e o nem tanto. Socorro-me de Vital Farias em era casa, era jardim quando diz:

“E ninguém nem percebia
Que o real e a fantasia
Se separam no final”

Às vezes no final é que se juntam.

(Sóstenes)

 

 

 

 



Escrito por Sóstenes Lima às 10h33
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Achiles Escobar


 

 

Ao Mestre com Carinho

Exposição Cidade de Papel Marche homenageia Ranilson França

O artista plástico Achiles Escobar inaugura no próximo dia 01 de abril, às 19h, no Memorial à República, a exposição Cidade de Papel Marche. A mostra é uma homenagem ao folclorista Ranilson França e apresenta esculturas retratando personagens dos folguedos populares de Alagoas, permanecendo até o dia 16 de abril. 

Durante três meses, um grupo de jovens de 13 a 17 anos, moradores da comunidade do bairro de Bebedouro, do Ponto de Cultura Chã de Folguedos, tiveram a oportunidade de interagir com Achiles Escobar para aprender a técnica da papietagem e do papel marchê. A iniciativa foi possível graças ao Prêmio Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura, da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e do Ministério da Cultura (MinC).

De acordo com o escultor, fazem-se necessárias políticas públicas que ofereçam qualificação e incentive a profissionalização de novos representantes da cultura popular tradicional. “Durante a realização das oficinas com os jovens, procurei dialogar sobre as manifestações populares e o desenvolvimento ambiental sustentável, com foco nos saberes tradicionais”, diz Achiles.

O homenageado da exposição tem razão de ser, Ranilson França era professor, pesquisador e folclorista e sendo um dos que acompanhavam de perto os trabalhos realizados nos Pontos de Culturas em Alagoas.

Achiles, paranaense de 43 primaveras é o único artista que ainda mantém um ateliê aberto no bairro histórico do Jaraguá, desenvolvendo, junto à comunidade, projetos sociais com a intenção de fomentar o intercâmbio de fazeres, saberes e olhares entre as diferentes linguagens visuais, representando, através de suas esculturas em papel marche, as manifestações da vasta cultura popular alagoana.

 



Escrito por Sóstenes Lima às 13h39
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Artigo do Mácleim

Quem te ouviu, quem te vê

 

O cerne da questão, agora, não é mais a valorização da produção musical de Alagoas e seus atores

 

          Existem certos assuntos que tanto faz começar pelo fim ou pelo começo. Como diz o dito popular: qualquer caminho dá na venda. Porém, se perguntarmos ao interlocutor: - por onde quer que eu comece? Invariavelmente, ele dirá: - comece pelo começo. Sendo assim, o começo é este: 1998, show do convidado especial Guinga; 1999, show de Jardes Macalé e Cristóvão Bastos. Workshop de piano e arranjo musical (Cristóvão Bastos); palestra sobre composição (Jardes Macalé). Nos anos seguintes vieram Carol Saboya e Nelson Farias (oficina de improvisação); Renato Braz, Zé Renato, Silvério Pessoa, Jaguaribe Carne, Itamara Koorak, Joatan Nascimento, Yamandu Costa, todos com shows e algumas das melhores oficinas musicais já realizadas no nosso aquário, feitas por esses artistas.

            Sim, matou a charada quem, já no primeiro parágrafo, percebeu que o assunto é o que eles denominaram agora de Femusesc, ou Festa da Música do SESC Alagoas. Aproveito para reconhecer aqui a coerência da instituição que tem mudado, ao longo dos anos, a nomenclatura do evento em paralelo ao seu formato (começou como Festival SESC da Música Alagoana, passou para Mostra de Música do SESC Alagas e agora virou Festa), certamente, na tentativa de adequá-lo como espelho da sociedade e, portanto, não interessa mais expor apenas o que é sublime e tem conteúdo, menos ainda ser propositivo. Embora devam saber que a união entre conteúdo e forma é fundamental para qualquer arte que se preze. Assim, o cerne da questão, agora, não é mais a valorização da produção musical de Alagoas e seus atores. A questão, agora, é o que a instituição chama de “atendimento”, ou seja: quanto maior o público atingido pelo evento (alardeiam que foi de 11 mil pessoas, na última edição), maiores são as possibilidades de aporte financeiro para o SESC/AL, através do seu homônimo nacional.

             Claro que os artistas alagoanos ainda são importantes como pano de fundo, como justificativa para o falso discurso da instituição e, principalmente, como matéria prima para geração de produtos e bens duráveis que respaldem a “ação cultural” do SESC/AL. E, sem dúvida, este ainda é um dos bons motivos capazes de fortalecer o reconhecimento lógico da importância que tem, principalmente em uma cena tão carente, a manutenção desta ação promovida pelo SESC/AL. Mesmo que os CDs (gerados pelo evento), por exemplo, aparentemente, sirvam apenas como cumprimento de tarefa e sequer sejam enviados à única rádio que de fato toca a música produzida em Alagoas. Aliás, duvido muito, e acho até bastante compreensível, que qualquer um dos artistas, que participam deste Femusesc, tenha o meu ponto de vista, ou, sequer, que já tenha refletido sobre isto. Também respeito aos que discordarem, pois entendo que de uma forma ou de outra eles não têm mesmo motivos para tê-lo. Afinal, a maioria estará no lucro possível que o diletantismo pode oferecer. O fato é que temos percebido a ausência na participação dos diversos artistas e bandas locais que já construíram uma carreira; que têm um público formatado. Que pensam e atuam de maneira profissional. Porque será que estes artistas e bandas não podem participar também como convidados, apresentando seus shows, numa justa valorização e reconhecimento?

          As coisas tomaram rumos inesperados, principalmente após a saída do Felix Baigon do departamento de cultura do SESC/AL. Porém, rumos inesperados nem sempre são rumos imprevisíveis. Na maioria das vezes, e este é o caso, rumos inesperados levam aos resultados totalmente previsíveis. Foi o que presenciei na edição passada do evento, na noite do show do Zeca Baleiro (maciçamente divulgado pela mídia). Mesmo sabendo que eu poderia ver o que vi, mesmo assim, saí de lá chateado. O que vi foi um público que não estava ali para ouvir, e muito menos prestigiar, a música produzida em Alagoas. Por sua vez - até enquanto suportei ficar -, os artistas entravam no palco já perdendo o jogo de dez a zero, intimidados, acanhados, com performances que traiam essa condição e por mais que tentassem não poderiam mesmo virar o jogo. No final de cada apresentação, minguados aplausos. No entanto, quando o apresentador gritava: “daqui a pouco teremos o show do ...” bastava apenas começar a pronunciar o Z, de Zeca Baleiro, e o público ia ao delírio. Cabe alguma restrição ao comportamento do público? Entendo que não. Afinal, ele foi induzido à percepção de que o mais importante ali era o show do Zeca Baleiro, não a música apresentada pelos nossos artistas. Nada contra o Baleiro, muito pelo contrário, e muito menos que a cada edição do evento tenhamos artistas nacionais convidados, mas aquilo foi me dando uma agonia, uma irritação, um desconforto, pois ali eu percebi que haviam subvertido completamente o outrora real propósito do festival do SESC. Hoje, existe um falso discurso, imediatamente desmentido pela prática.

          Eu mesmo - com meus remédios diários - sou a prova de que na farmacologia os genéricos, de fato, funcionam. Porém, na música, não acredito nisso. Já o SESC Alagoas, mais uma vez, coerentemente, acredita. Do contrário, teríamos nesta edição o princípio ativo, o original e, claro: o “atendimento” garantido. 

www.macleim.com.brwww.myspace.com/macleim



Escrito por Sóstenes Lima às 11h48
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Matéria do Keyler Simões


 

 

OI Futuro anuncia selecionados em edital e prova que agiu de má fé

 

A Oi Futuro, instituição ligada à OI Telefonia e que instituiu o Programa Oi de Patrocínios Culturais, anunciou nesta segunda, dia 02 de março, a relação de projetos selecionados e só então revelou que os projetos só foram selecionados nas provenientes de cidades e estados que possuíssem leis de incentivo à cultura, como está em seu site: “Apresentamos, a seguir, a lista de projetos selecionados para patrocínio da Oi em 2009. A efetivaçao do patrocínio está condicionada à aprovação dos projetos nas leis estaduais ou municipais de incentivo à Cultura.” Ora, a informação inicial do edital falava em leis de incentivo. A Lei Rouanet é uma lei de incentivo e é federal, ou seja, projetos de Alagoas poderiam concorrer e até ganhar pois Alagoas ainda pertence à União Federativa do Brasil, mas não foi isso que se revelou. A Oi divulgou o resultado dos selecionados de 2009 condicionando ao fato dos projetos serem inscritos e aprovados em leis de incentivo municipais e/ou estaduais, demonstrando má fé. Enviamos e-mail para a Oi, mas não obtivemos retorno, pois os e-mails enviados retornam como se a caixa postal estivesse cheia.

 

Ou seja, novamente nenhum projeto de Maceió e Alagoas foi aprovado porque além de tudo não possuem leis de incentivo. Vale lembrar que o Governo do Estado de Alagoas deve ser o maior cliente da OI, no estado. E fica claro a falta com a verdade por parte desta empresa.



Escrito por Sóstenes Lima às 09h04
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