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CRIAÇÃO POÉTICA & LOUCURA (fragmento 1)

Obra de Raphael Domingues - Museu de Imagens do Inconsciente 50,0 x 33,3 cm óleo sobre papel
Ensaio de João Silvério Trevisan
Quanto à sua relação com a loucura, a criação poética, mais talvez do que qualquer outra experiência humana, resume as duas grandes experiências do morrer: há nela um gesto de amor apaixonado e radical, ao mesmo tempo que um mergulho na loucura. É a criação como ato de loucura que me interessa agora.
Enquanto experimentação na loucura, a criação poética aparece antes de tudo como um mergulho no desequilíbrio e no caos de si mesmo – no sentido de que para criar é preciso revirar todo o interior do criador, até o ponto de abalar-lhe o sentido quotidiano. De fato, a gente cria porque não cabe mais dentro de si mesmo e então procura uma expressão fora de si, no desconhecido. Por causa disso, o ato de criar implica numa confissão de desequilíbrio – assim como "a civilização é a expressão do desequilíbrio congênito dos homens", no dizer de Octavio Paz
Escrito por Sóstenes Lima às 15h06
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Da coluna do Mácleim

Obra de Carlos Pertuis -Museu de Imagens do Inconsciente
Óleo sobre papelão 49,8 x 80 cm
Artigo publicado no jornal Extra de 25/02/2005
www.extralagoas.com.br
Riqueza subjetiva
No dia 15 deste mês, uma alagoana transcendente completaria 100 anos se, fisicamente, ainda habitasse este térreo plano existencial. Não pretendo escrever sobre ela pois não me acho capacitado além da minha admiração e, também, por entender que a Dra. Nise da Silveira transcendeu a ela mesma e agora ela é sua própria obra visionária. Além disso, seus métodos terapêuticos foram tão significativos e trouxeram contribuições tão relevantes para uma parcela da sociedade marginalizada, ignorada, incompreendida e, até então, torturada pelos tratamentos usados à época (como se não bastassem a tortura e a escravidão interior que os loucos são condenados a sofrer), que eu prefiro utilizar o que me resta de lucidez para apenas transcrever alguns dos mais interessantes pensamentos de uma mulher genial que, como tal, sempre esteve além do seu tempo.
Que tal começar com um comentário dela sobre este tipo de veículo que você, caro(a) leitor(a), está em contato agora? Pois bem, ela declarou: "No jornal O Estado de São Paulo saiu algo engraçado, mas verdadeiro, o que é raro em jornal. Publicaram o meu retrato, dizendo: Ela prefere ser uma loba faminta a um cão na coleira." Claro, só uma loba faminta poderia farejar o que ela farejou, fazer o que ela fez, chegar aonde ela chegou. Assim, sem coleiras, ela, entre os anos de 1957 e 1958, foi para Zurique (Suíça) estudar com Jung e os dois tornaram-se colaboradores. "Jung diz que nós vivemos ao mesmo tempo entre pessoas do período paleolítico e da idade média. Vivemos com gente de cinco mil anos atrás e com gente de séculos adiante de nós." Dra. Nise dizia isso e, provavelmente, tinha a consciência de que ela própria estava inserida neste contexto, posto que ela era o que havia de mais avançado no entendimento da riqueza subjetiva mergulhada nas profundezas da loucura inerente ao "ser" humano.
"Todo mundo deve inventar alguma coisa, a criatividade reúne em si várias funções psicológicas importantes para a reestruturação da psique." E ela complementava: "O que cura, fundamentalmente, é o estímulo à criatividade". Como não admirar esta mulher que, com conceitos como estes, quebrava barreiras, descobria por trás de cada louco um artista, por trás de cada artista um ser humano, ou vice e versa? Acredito não haver importância na ordem dos fatores. O resultado humanístico, a partir dessa perspectiva, é que é relevante.
A predestinação de uma pessoa para determinado fim fica evidente na proporção inversa existente entre suas realizações e sua humildade em gestos e palavras. Por isso, Dra. (e como esse título lhe é meritório) Nise dizia: "quem sabe o que acontece no imenso mar do inconsciente? Quem disser que sabe, este, sim, é louco." E mais: " aprendi muito com os animais e pouco com os psiquiatras."
Particularmente, me identifiquei com esta frase: "Só os loucos e os artistas podem me compreender." Identifico fragmentos dessas duas possibilidades em mim e, talvez, por isso mesmo, eu me sinta tão próximo da percepção e entendimento dos conceitos defendidos por ela. Assim, me cai como uma luva o que a Dra. Nise, certa vez, falou para a Elke Maravilha: "Nunca se cure demais, gente muito curada é gente muito chata. Por isso você é maravilhosa, porque conseguiu viver sua imaginação, que é a nossa realidade mais profunda." Mácleim

Drª Nise da Silveira na Exposição de Zurique, 1957
Escrito por Sóstenes Lima às 10h51
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Poesia casual

Anjo daltônico
Jorge de Lima
Tempo da infância, cinza de borralho, tempo esfumado sobre vila e rio e tumba e cal e coisas que eu não valho, cobre isso tudo em que me denuncio.
Há também essa face que sumiu e o espelho triste e o rei desse baralho. Ponho as cartas na mesa. Jogo frio. Veste esse rei um manto de espantalho.
Era daltônico o anjo que o coseu, e se era anjo, senhores, não se sabe, que muita coisa a um anjo se assemelha.
Esses trapos azuis, olhai, sou eu. Se vós não os vedes, culpa não me cabe de andar vestido em túnica vermelha.
Escrito por Sóstenes Lima às 13h59
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Veja no Sururusom
Direitos Autorais
Ancinav: sabotagem aos direitos autorais
Leia o artigo do compositor Fernando Brandt
(clique na imagem)

Escrito por Sóstenes Lima às 15h50
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Da coluna do Mácleim

Artigo publicado no jornal Extra de 18/02/2005
www.extralagoas.com.br
Outros carnavais
Provavelmente, a pergunta que você mais ouviu na semana que passou tenha sido: E aí, como foi seu carnaval? Ainda bem que isso passa, outras festanças vão acontecer (São João, por exemplo) e serão a bola da vez. Digo isso porque quando alguém me fazia tal pergunta, demandava um certo esforço respondê-la com a mais absoluta verdade: foi melancólico, reflexivo e abstêmio o meu carnaval. Enfim, basicamente o que o mais introspectivo dos meus eus havia planejado, por mais anacrônico que isso possa parecer.
Tolamente, tentei isolamento no meio da balbúrdia. Fui para um condomínio onde pululavam, à minha volta, noite e dia, fruídos do carnaval em sons e imagens e, ao fechar as portas do meu espírito carnavalesco, a melancolia foi mais rápida, entrou por qualquer fresta e se instalou confortavelmente. Assim, meu carnaval foi melancólico o bastante para que eu não pudesse esquecer de mim.
Foi reflexivo porque, em plena segunda-feira de carnaval, percebi o quanto a modernidade prática é fundamentalmente providencial. O que seria de mim se esta modernidade não estivesse ao meu alcance e eu, através de uma simples combinação entre uma lasanha pré-fabricada e um microondas programável, não pudesse saciar uma fome específica, resolver deliciosamente um problema e, após uma nova condição de saciedade, retornar à minha leitura que, aliás, era a única coisa capaz de amenizar a tal melancolia que havia se apossado de mim bem antes de qualquer quarta-feira ingrata.
Finalmente, meu carnaval foi abstêmio pois eu queria a possibilidade de, a partir do distanciamento prático e crítico, observar o efeito (as vezes alegórico, outras tantas ridículo) da alegria induzida. Tenho a impressão que o carnaval acontece sempre de fora para dentro das pessoas. Elas ou não sabem disso, ou se sabem preferem assim e, assim sendo, parecem satisfeitas com tal premissa. Portanto, se assim o é, pois que assim se baste, e tudo bem. Logo, observar o arremedo do arremedo de qualquer coisa que os foliões faziam sem o menor pudor, foi, sem dúvida, apenas o confirmatório da racionalidade humana e sua carência de válvulas de escape.
Antes que alguém tenha dó de mim e comece a pensar, por exemplo, como uma pessoa pode ser tão tola deliberadamente? Esclareço: eu também tive bons momentos neste carnaval. Um deles, quando, fora da modernidade e dentro do que eu não sei, recebi a visita de alguns amigo(a)s e seus filhos maravilhosos. Além do prazer de tê-los comigo (o que gerou uma pausa necessária à minha solidão), eles me ensinaram o jogo da poesia e, em pleno carnaval, embora volta-e-meia encurralados pelo barulho ensurdecedor dos carros aloprados e suas músicas pegajosas, estávamos lá brincando de fazer poesia. De tão simples, a brincadeira me pareceu genial. Consistia na proposição de um tema e, daí, cada um dos participantes desenvolvia uma estrofe a partir, ou não, do que havia escrito o primeiro. O resultado, na maioria das vezes, era bastante interessante e, pelo menos, na minha ótica leiga, quase sempre poderia ser rotulado de poesia. Guardei todos os escritos, pois, talvez, poesia seja o melhor dos carnavais.
Mácleim
Escrito por Sóstenes Lima às 11h18
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Edifício da Associação Comercial - em frente ao Bar Casa da Sogra
"Crônica de uma morte anunciada"
Autor: Gazeta de Alagoas
Buscar na Web "Gazeta de Alagoas"
Quando: 17/02/2005
Último bar da noite no Jaraguá fecha as portas Dono da Casa da Sogra desiste de “remar contra a maré”
REGINA CARVALHO
Mesmo com o tão esperado Centro de Convenções de Maceió perto de ser concluído, o último bar que anima as noites na Rua Sá e Albuquerque – principal corredor da boemia do bairro histórico de Jaraguá – está fechando as portas. O proprietário do bar Casa da Sogra, Tanagy Andrade, disse ontem à GAZETA que desistiu de “remar contra a maré” e resolveu fechar seu estabelecimento, que funciona há seis anos. “Estou desiludido, não vejo mais alternativa. Tenho que fechar o bar, entreguei os pontos. Não me sinto mais animado para trabalhar”, lamentou. Com o fim da Casa da Sogra, a diversão noturna no bairro se resume ao bares no entorno da Praça Rayol, e à vida diurna na própria Sá de Albuquerque, que ainda tem bancos, casas comerciais e restaurantes self-service. Até o começo da noite de ontem, apenas a Casa da Sogra e a Pizzaria Pianos estavam abertas. A Casa da Sogra, bar já tradicional para quem visita Alagoas ou mesmo para quem freqüentava as agitadas noites de Jaraguá, chegou a empregar 19 funcionários, mas atualmente contava com apenas cinco. “Vou fechar porque não vejo mais perspectiva. Infelizmente estou muito desanimado”, acrescentou Tanagy, que também está deixando a presidência da Associação dos Comerciantes de Jaraguá. No auge de Jaraguá, quando o bairro foi revitalizado, somente na Rua Sá e Albuquerque eram gerados cerca de 400 empregos diretos e funcionavam 20 bares, boates e restaurantes em plena euforia da agitação noturna. “Esses bares eram uma fonte de renda para muita gente”, destacou Tanagy. A proprietária do restaurante Almoço & Cia, especializado em self-service, Marília Toledo, responsabiliza o poder público pela “falência” do bairro de Jaraguá. Seu estabelecimento chegou a empregar 11 funcionários e hoje só tem quatro. “Tínhamos uma estrutura muito boa. Faziam fila para entrar no restaurante. Não sei como ainda estamos funcionando”, diz a proprietária do restaurante, que funciona há 11 anos. “Jaraguá só vai para a frente com investimentos financeiros e culturais. Temos grandes artistas da terra, que poderiam também alavancar o movimento aqui. Por enquanto, estamos nessa situação terrível. Muita gente daqui chegou a pedir empréstimo em banco para poder salvar seus bares e restaurantes e está numa situação muito difícil, tendo que fechar as portas”, lamentou.
Categoria: Citação
Escrito por Sóstenes Lima às 18h12
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Show de Roberto Diamanso no Reviva Jaraguá
Data: 18/02/2005 - Hora: 21h
Local: Escadarias da Associação Comercial
Show do violeiro Roberto Diamanso, em uma prévia do seu novo CD. Acompanhado de Miran Abs, Wilson Miranda e o sanfoneiro Alberto. Participação especial de Sóstenes Lima e Dênis Ubirajara(Bocão).
Categoria: Evento
Escrito por Sóstenes Lima às 21h07
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http://www.junioralmeida.com.br
Data: 17/02/2005 - Hora: 20h30min
Local: Teatro Jofre Soares
FLORES Junior almeida Cantor e compositor volta aos palcos com o show que expõe 20 anos de trajetória musical
Da Editoria de Cultura
O cantor e compositor Júnior Almeida não pára de buscar motivos para se reinventar na sua solidificada trajetória musical. A necessidade de colocar para fora os próprios versos parece enfeitiçar o artista que não tem medo do novo. Amanhã, ele está de volta ao palco com a estréia do show “Flores”, um apanhado sonoro construído nos mais de vinte anos de carreira. “Flores” é o começo de um novo ciclo que Júnior já está pronto para desbravar. “Com esse trabalho quero abrir novas portas na minha carreira. 2004 foi um ano importante, tive a oportunidade de viajar com o show ‘Azul Encarnado’. De fato, percebi que meu trabalho consegue ter boa receptividade fora de Alagoas. Sem dúvida, mais um incentivo para prosseguir”, conta.
Categoria: Evento
Escrito por Sóstenes Lima às 10h50
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O Labirinto da Solidão - Poesia de Edson Bezerra - Final
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Foi então que Pedro percebeu que um homem
Não se faz sozinho
Que um olhar de outros apartado
É apenas um olhar de bicho às coisas
E que um corpo sozinho nunca se torna um somatório,
E que por detrás de todos
Os mistérios e encantamentos de sua casa azul
A sua, era uma casa sozinha e
Apartada das palavras e das outras casas.
E neste movimento Pedro
Voltou a sentir o câncer que lhe trazia a solidão,
E ao se pensar assim,
Pedro pode finalmente fazer de se
Todas os possíveis,
E perceber que o amor não é bicho incriado.
Escrito por Sóstenes Lima às 11h04
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Pedro afinal estava sem pressa
E da morada azul numa manha terral, ele
Sentiu que novamente poderia amar.
E Pedro se tornou então sono e espera,
E sua casa dentre muitas
Mora agora em rua qualquer ao lado dos outros homens
Solidária a morada de outras casas
E a solidão de Pedro agora
É dentre outras,
Apenas uma solidão compartilhada entre os homens.
E também o amor agora é um sentimento compartilhado
Pedro nem mais nem menos
É apenas um homem ao lado de outros homens.

(Casario 3 - tela de Célia Malta)
Escrito por Sóstenes Lima às 10h52
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O COMPOSITOR E O CRIADOR, A CRIATURA E A OBRA

Conheça o artigo escrito por André Novaes, músico, em 11 de fevereiro de 2005, com o objetivo de que os músicos populares e folclóricos de todas especialidades possam desenvolver suas atividades profissionais da música sem a interferência do Estado ou qualquer entidade para-estatal que venha a ser delegada para reprimir, policiar, restringir, cercear, disciplinar, selecionar ou penalizar, de qualquer forma possível, os direitos soberanos à criação e interpretação artística, à livre manifestação da expressão artística, intelectual e de pensamento, ao direito fundamental do trabalho lícito e à liberdade da sociedade e dos indivíduos ao acesso à cultura e aos bens culturais(clique na imagem).
Escrito por Sóstenes Lima às 14h23
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Veja no SururuSom
STJ se posiciona acerca da OMB
Clique na imagem
Escrito por Sóstenes Lima às 13h27
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Da coluna do Mácleim - Publicada no Edição Extra

Carnavalização
Vi, em recente matéria na Tv, jovens entusiasmados com a possibilidade de fazerem retiro espiritual durante os dias de momo. Tudo bem, nada contra. Entendo perfeitamente tal opção. É claro que o meu entendimento vai por outra via. Confesso que houve um ano, na minha adolescência, que eu pensei seriamente nessa possibilidade e fui salvo pelo gongo da sabedoria dos meus pais ao não permitirem que eu fosse. Os jovens que vi na TV pareciam saudáveis e alegres, porém todos tinham as características das pessoas que entrariam no rol dos picolés de chuchu. Naturalmente, não seria nada fora de lógica pensar que quem não possui sex appeal, não é chegado a uma embriagues, é tímido por natureza, ciumento e inseguro, realmente, não tem muito mesmo o que fazer no carnaval e é melhor evitá-lo.
Afinal, no Aurélio, o carnaval é definido como "uma festa profana, uma manifestação sincrética oriunda de ritos e costumes pagãos como as festas dionisíacas, as saturnais, as lupercais e se caracteriza pela eliminação da repressão e da censura, pela liberdade de atitudes críticas e eróticas". Ou seja: folia, desordem, confusão, orgia. Tudo muito tentador, mas mesmo assim, este ano, eu resolvi pular fora de tanta tentação. Além de eu ter um pouco de cada uma daquelas características acima citadas, e antes que pensem que aderi a alguma religião (só faria isso se eu conseguisse entrar direto na diretoria), o fato é que eu me encontro, atualmente, na confortável posição de, pela primeira vez, poder fazer o que eu quero durante o carnaval. Pode ser até sinal dos tempos, coisas de quem está na turma dos "enta", mas, finalmente, acho que chequei à fase de poder encontrar muito mais sentido na carnavalização do que no carnaval.
Quando Mikhail Bákhtin fez a transposição do carnaval para a literatura, em 1928, criou o termo carnavalização que se caracteriza, em diferentes contextos culturais, pela inversão dos códigos vigentes, pela ambigüidade das propostas, das imagens e representações, e pela valorização da força erótica, do riso e do inusitado. A carnavalização, a partir das teorias de Bákhtin, tem sido objeto de estudo no campo da teoria literária, da antropologia, da sociologia e etc. Mesmo que minha opção, pela carnavalização, tenha semelhança com a história do camarada que levou a mulher para a moita e comeu a moita, mesmo assim, foi o próprio carnaval (o nosso, em particular) que, paradoxalmente, me conduziu à calmaria deliberada.
Ainda não consegui encontrar substância para, por exemplo, interagir com essa submissão aculturada do Pinto da Madrugada, por mais que o Marcial Lima diga que estamos separados de Pernambuco apenas pela questão geográfica e que, culturalmente, somos a mesma coisa. Insisto. Não somos mais uma filial de Pernambuco. Por que, ao invés de "se no Recife tem"..., não temos o bloco Sururu do Meio-dia? Sou um orfão dos Meninos Órfãos da Albânia, do tempo quando podíamos (o Ricardo Mota e algumas vezes eu) escrever frevos que seguiam à risca o que dizia a letra do hino: "nós somos o bloco dos Meninos da Albânia/ mostrando na rua o que está podre no poder". Agora, todos os fundadores do bloco, em vários setores, estão no poder, daí...
Além disso, não tenho obrigação nenhuma de ser feliz, principalmente, por apenas três dias.
Mácleim.
Escrito por Sóstenes Lima às 10h35
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