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Show com Vestindo a Carapuça e 082
Data: 04/06/2005 - Hora: 22:00
Local: Praça Marcílio Dias - Jaraguá
Uma oportunidade inédita em que as duas bandas de estilos totalmente diferentes dividirão o palco. A banda 082 é liderada pela Fernanda Guimarães e conta com as presenças de Betinho, Ricardo Lopes e Márcio Brebal.
Categoria: Evento
Escrito por Sóstenes Lima às 09h25
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da coluna do Mácleim

Hedonismo nas Algemas
Esforço-me para cumprir o que prometo desde que não seja, por exemplo, comparecer a festas à fantasia, casamentos e batizados de qualquer espécie, shows dessa modernidade ôca, quermesses de padroeiras... Portanto, cumprirei agora o que prometi, no texto da semana passada, quando escrevi que a partir de então utilizaria este espaço para o hedonismo e a cultura Blip, quiçá.
Pois bem, a capa da revista Veja (edição 1 906, de 25 de maio) traz uma foto-montagem, bastante sugestiva, de um grande rato de paletó-e-gravata. Aliás, ganha uma merenda quem descobrir qual a simbologia do paletó-e-gravata na capa da Veja. Imediatamente, ao ver o rato e ler o título: “Corruptos. Estamos perdendo a guerra contra essa praga”, por um breve momento, inocentemente, cheguei a pensar que se tratava de matéria sobre a operação deflagrada pela Polícia Federal contra os mamíferos roedores do dinheiro público em Alagoas. Sim, pensei nos tais Guabirus que roubavam as verbas destinadas à compra da merenda escolar para um batalhão de crianças pobres, cuja sobrevivência, no dia-a-dia, depende da merenda como única refeição possível.
Mas qual o quê, ledo engano. Afinal, por que a imprensa nacional iria demonstrar interesse (a ponto da revista de maior circulação do país destacar em matéria de capa) por um fato corriqueiro e já tradicional no Estado que detém os piores índices do IDH e cuja pequenez territorial é inversamente proporcional ao talento e capacidade para falcatruas políticas, ladroagem e corrupção? Além disso, Alagoas está fora de rota do interesse nacional. O resto do país e a grande impressa estão muito mais interessados no que acontece em Bagdá ou na Tchuváchia, do que em Alagoas. As patifarias políticas, cometidas ao longo dos renováveis mandatos da impunidade, não são mais novidade para ninguém de tão comuns que se tornaram, mesmo que por debaixo dos panos. Por isso a imprensa nacional não leva mais a sério nossas malandragens e ratazanas, a não ser como munição para chacotas e comentários de passagem.
Se existe algum fato novo, este se resume à delícia de ver os larápios do dinheiro público algemados como bandidos que são e expostos ao crivo da opinião pública. Depois disso, já sabemos o que vai acontecer. Advogados caros, habeas-corpus, apelações, apelações e a ratoeira se desmonta. Detesto prejulgar fatos e, menos ainda, pessoas. Porém, definitivamente, não parece ser este o caso neste caso. As provas, ao que se sabe, são contundentes e os personagens são figuras carimbadas pela hipocrisia das autoridades e da sociedade alagoana.
Portanto, que maior satisfação hedônica (completamente desprovida da menor chance de remorso) do que ver aquela quadrilha chegando presa à sede da Polícia Federal? Embora algemados apenas pelos punhos (para a maioria deles a ficha parecia não ter caído e a arrogância, no sorriso cínico, vitaminada por tanto tempo de certeza da impunidade, ainda se mostrava livre de quaisquer algemas), mesmo assim, foi um prazeroso espetáculo.
Uma outra curiosidade me chamou a atenção. Por que uma parte da imprensa noticiou a operação da Polícia Federal como Gabiru, enquanto outra noticiava Guabiru? Se levarmos em consideração o significado exato de cada um dos termos (embora, um seja a extensão do outro), parece até um sintoma bastante significativo de posicionamento diante dos fatos. Guabiru significa mamífero roedor de ventre branco e dorso acinzentado, comum nas regiões rurais do Brasil. E mais: ladrão, gatuno, rato. Já, Gabiru, significa apenas, patife, velhaco, gaiato. O certo é que se juntarmos o significado das duas denominações, ainda assim, será pouco para adjetivar criminosos desta espécie.
Mácleim
Escrito por Sóstenes Lima às 08h50
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Da coluna do Mácleim

Angústia no Aquário
“Ter-se-ia de estar situado do lado de fora da vida, e por outro lado de conhecê-la tão completamente quanto qualquer um, quanto muitos, quanto todos que a experimentaram, para se permitir tocar no problema do valor da própria vida...” ‘. Foi o que Nietzsche escreveu sobre o talento da sobrevivência, que se eleva acima da desordem para ver a arbitrariedade de seus valores. Minha sintonia em tal conceito, sem dúvida, contribuiu para que eu tomasse uma decisão que, até então, pensei ser mais dolorosa e sofrida do que na realidade se mostra agora. Esta decisão (da qual não pretendo retroceder nem tão cedo) diz respeito ao limite do meu altruísmo no que se refere à classe artística do nosso aquário e, em especial, a classe a qual pertenço.
Cansei! Basta! Daqui por diante, não botarei mais a mão nesta cumbuca e, neste espaço, servirei apenas ao hedonismo das abstrações, serei atento à cultura Blip, louvarei o absenteísmo, admitirei o neo-individualismo pós-moderno, porei a nu o não-dito por trás do que foi dito, buscarei o silêncio reprimido sob o que foi falado e, finalmente, pela entropia do meu universo, poderei chegar ao niilismo como risco calculado, porém, preferível à insatisfação. Portanto, assim, sem pastiches, estarei conectado com a transvanguarda, mas tentando permanecer fora da subserviência e alienação que amordaça aos que já se renderam ao domínio das várias nuances do poder.
Existem decisões e decisões. Dentre elas prefiro as menores, que possibilitam diminuir a margem de erros. No entanto, seja qual for o tamanho das decisões, elas sempre terão a cumplicidade da famosa gota d’água no papel de estopim. Sou tão pouco acostumado ao estruturalismo que, para mim, neste caso, foram necessárias duas gotas, ligadas ao mesmo estopim, para detonar minha vontade de sacudir a toalha e tirar o time de campo. Não acho necessário descrever os fatos que, metaforicamente, foram minhas gotas d’água, prefiro me ater ao poço de onde vieram e para onde sempre retornam.
Refiro-me à falta de atitude cognitiva dos formadores (que deveriam ser perturbadores) de opinião e da maioria dos artistas locais, portanto, à subserviência muda que induz ao imobilismo catalisador da afirmação dos fatos pela inexistência da contestação. Refiro-me à mascara da classe artística alagoana, que perdeu o bonde da sublimação e não mais se posiciona pela capacidade criativa em relação e reação à nada. Refiro-me ao que escreveu Susan Sontag quando, taxativamente, afirma: “ao aproximar-se demais do poder e ficar amigo dos poderosos corre-se o risco de não poder mais dizer que se é intelectualmente independente”. Refiro-me às sábias palavras de Humboldt, um dos fundadores do liberalismo clássico, “se um artista trabalha sob ordens, podemos admirar o que faz, mas desprezamos quem ele é. Ele não é um ser humano, mas uma ferramenta nas mãos de outra pessoa”.
Enfim, não descobri a pólvora, pois nada disso é novidade. Ao contrário, estes são aspectos e questões históricas da formação do povo brasileiro e, em especial, do alagoano bem e mal-nutrido. Aliás, coisa que o mestre Graça já desvendara com angústia, em Angústia. Já que nada mudará, mudo eu.
Mácleim.
Escrito por Sóstenes Lima às 08h52
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Glosa de Sóstenes Lima
Glosa & comentário de SÓSTENES LIMA/VESTINDO A CARAPUÇA
Luiz Alberto,
Vou entrar nessa glosa que também sou filho de Deus.
Nessa ciência de papa
Não meto a mão, não me atrevo
Mas se o caboco é valente
Quebro o cacete, me inscrevo
Se o homi foi eleito
Por cardeias, mais de cem,
E não temendo desdém
Mostrou que é cabra de peito
Bento papa foi eleito
Sem dar papa prá ninguém,
É pau no lombo e toitiço,
Vai ter protesto de romeiro,
Muié-dama, mandigueiro,
Se não "santiar" Padre Ciço
Poca urna, maloqueiro,
Coroné e usineiro
Agiota e usurento
Vai lhe negar o vintém
Bento foi eleito papa
Sem dar papa prá ninguém
Damião, por outro lado
Vai reclamar do intento
De "santiar", no momento,
O concorrente lá do crato.
Vai brandir o seu cacete,
Alardear: vem que eu bato!
Mas o alemão, de fato,
Nem vai ouvir seu lamento
Papa foi eleito Bento
Sem dar papa prá ninguem.
Escrito por Sóstenes Lima às 11h07
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Da coluna do Mácleim

Deuses de alhos e bugalhos
Piedosa e generosamente, sou capaz de encontrar algum tipo de entendimento que, longe de justificar, ao menos explica o quanto deve ser irresistível aos fracos de caráter, pobres de princípios e fartos de soberba, ultrapassarem, com freqüência, os limites do bom senso e, autoritariamente, cometerem atos reacionários proporcionais à importância com que se autoproclamam, embora, respaldados apenas pelos cargos temporários que ocupam. Uma vez investidos dos poderes delegados por seus pares e, em alguns casos, referendados pelo voto popular, estes seres daninhos, por certo, se acham “deuses” e, para que essa condição seja constantemente fortalecida na imensidão dos seus egos inflados, se cercam de asseclas que não permitem, sequer, que os tais “deuses” empreendam qualquer esforço para abrir uma simples porta, imagine então serem questionados ou contrariados.
Exercer autoridade atrelada ao poder de decisão é uma prática corriqueira a qualquer ser humano e não um privilégio apenas dos poderosos e autoridades constituídas. Desde o mais humilde porteiro até o presidente da república, todos nós, em algum momento, exercemos alguma forma de autoridade. Portanto, não é o uso da autoridade que está em xeque, e sim o grau de periculosidade com o qual ela é exercida, o que, às vezes, desemboca em atitudes morfologicamente alcunhadas de autoritarismo.
Este mês começou pródigo em fatos que, se não fossem preocupantes pelo teor do retrocesso democrático embutido em suas entranhas, poderiam descambar para o patético, de tão descabidos e esdrúxulos. No plano nacional tivemos o lançamento (e logo em seguida a retirada de circulação) da cartilha de termos politicamente corretos, pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, que funcionou na prática como um tiro no próprio pé. Se aquele resquício de censura autoritária entrasse realmente em voga, provavelmente, a única colaboração positiva seria a redução significativa do vocabulário do próprio presidente Luis Inácio Lula da Silva. Daí, ele mesmo ter mandado recolher a tal cartilha, aliás, um belo exemplo das realizações pífias deste governo, que parece não saber como e o que fazer com as promessas épicas de campanha.
Já no nosso balneário (que cada vez mais se parece com um aquário), o Museu da Imagem e do Som (MISA) encontra-se à deriva, pois o ator José Marcio Passos, ex-presidente do museu, foi exonerado e só tomou conhecimento da sua exoneração pelo Diário Oficial. E por que que ele foi exonerado? Porque no palco do teatro Deodoro, com o talento que lhe foi conferido pelos deuses da ribalta (estes sim, verdadeiros deuses), em ato único, no exercício do seu ofício e sem saber, contrariou a um daqueles “deuses” autoritários que, ao pensar ser um Deus, se investe de poderes arbitrários e, assim, com a limitação da arrogância, confunde alhos com bugalhos.
Mácleim
Escrito por Sóstenes Lima às 14h49
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Constatação
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Nenhum partido brasileiro tem visão moderna de cultura |
| Isso explica o corte do orçamento do MinC no governo Lula; análise é do cientista político José Álvaro Moisés, que foi um dos fundadores do PT e membro do governo FHC
Sílvio Crespo www.culturaemercado.com.br 28/03/2005
A dificuldade de obter um orçamento digno para a área cultural independe da orientação ideológica e da história do partido que está no poder, segundo o cientista político José Álvaro Moisés. Em sua análise, nenhum partido brasileiro tem uma “posição moderna com a cultura”. Um dos fundadores do PT, ele foi secretário do Ministério da Cultura durante toda a gestão Fernando Henrique Cardoso. Em 2003, voltou a lecionar no Departamento de Ciência Política da USP (Universidade de São Paulo), onde desenvolve pesquisa sobre “Os brasileiros e a democracia” e ministra a disciplina “Cultura política e políticas culturais”.
“Enquanto a atual administração falou que faria mudanças, as linhas básicas permanecem as mesmas: orçamento direto reduzido e uso de incentivos fiscais”, diz Moisés. A crítica mais freqüente ao governo FHC na área cultural era o fato de ele deixar à mercê das leis de incentivo —das empresas, portanto—a maior parte dos recursos destinados à área cultural. O governo Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, decidiu recentemente contingenciar R$ 267 milhões do orçamento da pasta da Cultura, equivalentes a 55% do que ela tinha como previsão de investimentos. Por outro lado, o MinC comemorou em 2004 o recorde de captação da Lei de Incentivo à Cultura (R$ 465 milhões).
Quando o assunto é a regulação econômica do setor audiovisual, Moisés considera que “o PT tem características favoráveis a uma melhor atuação nessa área [...], mas os objetivos do partido – estar e permanecer no poder – levam a que isso fique em segundo plano”.
Leia entrevista de José Álvaro Moisés a Cultura e Mercado.
Por que a área cultural não consegue vencer a resistência da burocracia econômica, quando o assunto é orçamento? Não existe ainda entre as elites políticas brasileiras um consenso a respeito da importância da cultura para o desenvolvimento como existe, por exemplo, com a educação. Isso é devido a duas coisas: por um lado, prevalece uma noção limitada e “economicista” do desenvolvimento, identificando-o essencialmente com o crescimento econômico, mas sem levar em conta que crescimento sem atenção aos fatôres humanos e culturais empobrece a própria perspectiva do desenvolvimento; por outro, não existe o reconhecimento da relevância da cultura como linguagem fundamental de auto-expressão dos povos, algo que tem valor em si e que independe de dimensões como a economia. A cultura é o modo pelo qual um povo define a sua perspectiva e o seu projeto de vida coletiva e, sem não for reconhecida como tal, leva a que seja tratada como um anexo. Quando isso acontece, os governos – de quaisquer orientações políticas – tratam-na como um elemento secundário e não asseguram os recursos necessários ao seu desenvolvimento.
Quando um partido chega ao poder, sua orientação ideológica e seu vínculo histórico com a cultura têm pouca influência na hora de reivindicar um orçamento maior para o setor? Na tradição brasileira, não existem partidos que tenham uma posição moderna com a cultura. Eu fui fundador, dirigente e militante do PT por muitos anos e o que sempre vi foi o partido instrumentalizar a cultura e a participação dos artistas; na hora das campanhas eleitorais eles sempre foram chamados, mas na hora da definição de linhas de ação e de posições políticas funtamentais, quase sempre foram deixados em um segundo plano. Não me surpreendo com o que está acontecendo atualmente, embora seja lamentável que, em realidade, nenhum partido tenha um vínculo mais orgânico com o setor cultural. Isso só vai acontecer quando os próprios artistas, produtores culturais e consumidores de bens culturais exigirem essa tomada de posição de parte dos partidos. Em parte, isso envolve uma contradição porque o problema também é cultural, isto é, somos politicamente subdesenvolvidos quanto à cultura porque a cultura política do país não a valoriza como seria necessário, apesar da riqueza e da diversidade culturais brasileiras.
A constatação do articulista que assinou o texto acima é inegavelmente a mesma que presenciamos aqui na terrinha. Não há um projeto para a cultura e sim a instrumentalização da cultura com finalidade política.
Escrito por Sóstenes Lima às 10h03
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Mais glosas
Outras glosas do site do Luiz Alberto com o mote - Bento foi eleito papa/e não vai dar papa a ninguém:
Glosa de Alberto Oliveira:
A santa igreja de Roma Juntou alguns cardeais Pois nos assuntos papais Ninguém o papel lhe toma Foi voto a voto e na soma Todo mundo disse amem João Paulo no céu também Quem for contra o papa capa Bento foi eleito papa Sem dar papa pra ninguém!
Glosa de Herbert Lucena:
Foi soldado convocado Na Segunda Grande Guerra Na trincheiras viu a terra Derramar sangue adoidado Mas Ratzinger foi criado Para não ferir ninguém De nazista nada tem De Deus nada escapa BENTO FOI ELEITO PAPA SEM DAR PAPA PRA NINGUÉM
No conclave foi eleito Por 115 cardeais Já são 16 Bentos papais Escolhidos desse jeito Se pontificar bem feito Vira santo e se dá bem Toda Roma diz amém E é bola na cassapa BENTO FOI ELEITO PAPA SEM DAR PAPA PRA NINGUÉM
Escritor e pianista Fala 10 línguas com arte Se diz fã de Mozart E detesta comunista Celibato ta na lista Ordenar mulher causa desdém Aborto e camisinha não convém Se insistir ele dá tapa BENTO FOI ELEITO PAPA SEM DAR PAPA PRA NINGUÉM
Escrito por Sóstenes Lima às 09h48
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Da coluna do Mácleim

FMI sem paletó
Admito ter tolos preconceitos como, por exemplo, desconfiar dos homens que usam terno no dia-a-dia dos trópicos. Desconfio, pois tal comportamento soa como uma tentativa de camuflagem que, a primeira vista, os tornam apenas símiles de uma colônia de pingüins. No entanto, ao contrário das simpáticas aves, tal estilo parece embutir a pretensão de uma falsa aura de importância, poder e credibilidade ao embecado. Quanto à elegância... Bem, apesar da grife dos novos e caros ternos, pagos pelo contribuinte, o Lula está aí para destruir a velha tese. Até agora a estratégia do paletó-e-gravata tem funcionado de vento em popa nas sociedades que ostentam e incentivam frágeis e questionáveis valores, como condição sine qua non para avaliações positivas dos seus pares e, claro, funciona também, para os apresentadores dos telejornais. É incrível como até no último momento, já prisioneiros (é)ternos do paletó de madeira, em situação claustrofóbica, mesmo assim, o esquema dessa turma é mantido e os infelizes viajam embecados na derradeira tentativa de impressionar aos porteiros do além.
É óbvio que, sendo este o meu ponto de vista, tenho uma certa resistência todas as vezes que preciso ir à cidade que me parece ser o habitat natural de tal plumagem humana. Acordar em Brasília e ter que tomar o café da manhã cercado de paletós é chato e não resta outra saída a não ser concluir que: quanto menos há do homem, mais roupa ele necessita.
O fato é que eu estive na Meca dos camuflados para a Feira da Música Independente (FMI), realizada entre os dias 27 e 30 de abril e, pelo menos lá, na feira, minha bermuda e camiseta estavam adequadas. Ou seja, não precisei de camuflagem. A independência prevaleceu na feira dos independentes. Aliás, o Teatro Nacional (onde aconteceu a FMI) parecia uma ilha inacessível, ou melhor, desinteressante aos engravatados. Claro que havia exceções, entre elas o simpático Secretário de Cultura do Distrito Federal, Pedro Borio.
Em uma demonstração inequívoca de sensibilidade (ao perceber que existe uma substancial produção musical em Alagoas, que urge ser divulgada além-fronteiras), a Secretaria Executiva de Cultura de Alagoas montou um estande onde os diversos segmentos da música alagoana estiveram representados com a exposição de discos e materiais gráficos.
Os resultados foram positivos e a missão foi cumprida. Os discos estão agora em algumas rádios de Brasília, Rio de Janeiro e até do Pará. No plano comercial, contatos com os selos de médio porte (que tinham estandes na feira) foram feitos e poderão gerar retornos individuais. Como resultado prático imediato, tivemos o significativo interesse da empresa Mediaidem em obter as músicas dos artistas alagoanos para comercialização em seu revolucionário sistema de vendas Peg Grav, através de computadores instalados em supermercados e magazines. O consumidor escolhe as músicas de sua preferência, monta a seqüência desejada, grava e leva o disco pagando, em média, R$ 0,50 por música. Dessa forma elimina-se a distribuição, os custos baixam e temos um golpe fatal na pirataria. Este será o futuro da comercialização do produto música.
Porém, o que me surpreendeu e me deixou feliz e orgulhoso, foi a procura do público (e dos lojistas) pelos discos do mestre Nelson da Rabeca. De longe ele era o artista alagoano mais conhecido no circuito independente. Sua projeção nacional ficou evidente o que, absolutamente, não condiz com a ação dos vândalos à justa homenagem que lhe foi erguida em Marechal Deodoro.
Mácleim
Escrito por Sóstenes Lima às 10h41
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As fogueiras do Santo Ofício

Passamos a vida inteira estudando, escutando e lendo sobre aberrações históricas, regimes de exceção, abuso de poder e outros fatos do gênero. Cabeças decapitadas, paredões de fuzilamento, fogueiras, câmaras de tortura, coisas assim. Tudo isso, às vezes, nos parece distante, acontecimentos perdidos na curva do tempo ou da distância, até que algo semelhante, muito próximo à nossa realidade, nos desperta e mostra que essas sombras nos cercam muito de perto.
Quero falar do caso do Capitão Buriti, que recentemente fez denúncias acerca do abandono e descaso para com a sua corporação, o Corpo de Bombeiros. Escreveu sobre, e respaldados numa rigorosa legislação militar, com regulamentos e normas de disciplinas que remontam ao exército de Esparta, seus superiores, incluindo o Governador, o puniram com a pena de prisão, uma espécie de recolhimento ao quartel. Pensamos: é um militar e as normas disciplinares que prezam sobre hierarquia e disciplina na caserna são severas. Sendo o Capitão um militar, as conhecia e arcou com a inteira responsabilidade pelos seus atos, sabendo da certeza da punição, fato que talvez torne ainda mais admirável o seu gesto.
Terça-feira, durante o show do nosso Edson Bezerra, no Teatro Deodoro, dois atores civis leram trechos da carta do Capitão Buriti à população. Um desses atores, José Márcio Passos, então Diretor do MISA – Museu da Imagem e do Som, que ali estava, entendo, não na condição de diretor do referido órgão, mas na condição de ator, foi exonerado sumariamente pelo gesto, um ou dois dias depois.
A intolerância, esta famigerada que vemos desfilar nos noticiários sobre regimes de exceção, AI-5 e ditaduras, nos aparece então materializada na sua forma sempre infame, ainda que travestida de novas roupagens. E o autor da canetada, outrora conhecedor e defensor de valores como liberdade de expressão, especialmente artística, e independência política, deixa no ar inúmeras perguntas diante da opinião pública, que a sua biografia pessoal e política, certamente, um dia haverá de responder.
Escrito por Sóstenes Lima às 07h44
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Mais glosas
Glosa de Ésio Rafael:
Galileu não suportou A força da opressão Temeu a inquisição Que seu processo lavrou Seu plano desmoronou Mas Giordano enfrentou cem Foi em chamas pro além Deixou seu gesto no mapa "BENTO FOI ELEITO PAPA SEM DÁ PAPA PRA NINGUÉM
Glosa de Luiz Berto:
Muito gozei esse ano Com a eleição de Bento, Veio em santo momento Fumaça do Vaticano. É pregador soberano Nesse reinado do Bem. De cacete ele já vem, Dando bufete e tapa: Bento foi eleito Papa Sem dar papa pra ninguém
Ele vem de ar sizudo, Segurando a estrovenga Pra botar no cu de quenga Cabra safado e chifrudo. É um cardeal taludo Que distingue o mal do bem, Até saber não convém De sua rola a lapa, Bento foi eleito Papa Sem dar papa pra ninguém.
E eu que sou um devoto, Praticante e sincero, Nessa vida eu só espero Dar para ele o meu voto. Mas uma coisa eu noto: O Bento come xerém. Só não nasceu em Belém Mas de Jesus traz a capa, Bento foi eleito Papa Sem dar papa pra ninguém
Foi um grande cardeal, Será de Pedro o herdeiro. Não gosta de cachaceiro De frango e coisa e tal. Mulher macho é anormal Na visão que ele tem. Do jeito que ele vem, Safado nenhum escapa, Bento foi eleito Papa Sem dar papa pra ninguém
Eu gostei dessa ventura De ser Bento o eleito, Sacerdote de respeito Homem de grande cultura. Na sua magistratura Num abre nem pra um trem, Só faz o que lhe convém E, do cacete, olhe a lapa! Bento foi eleito Papa Sem dar papa pra ninguém.
Paulo Carvalho é doutor E nos propôs esse mote, Um homem de grande dote Nordestino com fervor. Pois então é com amor Que embarco nesse trem, Das rimas eu vou além Bebendo mel e garapa, Bento foi eleito Papa Sem dar papa pra ninguém.
Escrito por Sóstenes Lima às 07h04
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Zelito Nunes:
BENTO FOI ELEITO PAPA E NÃO VAI DAR PAPA A NINGUÉM
Em Roma cidade eterna Muito longe de Belém Numa eleição moderna Sem gastar nenhum vintém Sem causar nenhum desdém Pegando a maior garapa Bento foi eleito papa E não vai dar papa a ninguém
Vencedor da eleição Lá no Concílio de Trento Depois de andar de jumento De bicicleta e de trem Sem discussão vai e vem Sem empurrão e sem tapa Bento foi eleito papa E não vai dar papa a ninguém
Ele disse a todo mundo Que não vai ter paciência Com quem mexer na ciência Fazendo o que não convém E ainda vai mais além Com quem não olhar seu mapa Bento foi eleito papa E não vai dar papa a ninguém
Ai de quem for comunista Sem terra , frango , petista Maconheiro transformista Ou se amancebar com alguém
Ele não abre prum trem Se for preciso ele capa Bento foi eleito papa E não vai dar papa a ninguém
A fogueira inquisitória Vai queimar os pecadores Estes grandes detratores Dos dogmas da nossa história Que por não terem memória Ofendem sem ver a quem Eles serão mais de cem Que vão arder nessa etapa Bento foi eleito papa E não vai dar papa a ninguém
Atenção Jorge Filó Paulo Carvalho , João Veiga Vocês vão virar manteiga E não vai restar nem o pó Eu que na vida fui só Vivendo e fazendo o bem Não vou ter pena de quem Viveu pra queimar etapa Bento foi eleito papa E não vai dar papa a ninguém.
Escrito por Sóstenes Lima às 10h21
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Mote
"Bento foi eleito papa/Sem dá papa prá ninguém" é o mote proposto no site do nosso amigo Luiz Alberto Machado, o Tataritaritatá. A partir de hoje publicaremos as glosas mais interessantes.

Escrito por Sóstenes Lima às 10h19
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Bezerra57@yahoo.com.br
Data: 3/5/2005 - Hora: 19h
Local: Teatro Deodoro
Show labirinto da solidão de Edson Bezerra
Categoria: Evento
Escrito por Sóstenes Lima às 09h35
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Show de Edson Bezerra

O Labirinto da Solidão
Entender a solidão e o amor enquanto sentimentos inconlusos, incompletos e que visitam as relações amorosas. Distantes, eles formam um somatório que se dissolve quando nas ilusões do amor, esquecemos que por detrás dele e ao seu lado se esconde a solidão. E é justamente ela, a solidão que nos revela a falta do outro, sendo o amor a completude ilusória da transparência, da transparência do encontro com o amado na insinuação do gozo, dos prazeres que se multiplicam com o Ele. Ao amante então, o mundo se transforma: as pessoas, as cores, os gestos e tudo enfim são reveladores de uma visão que se entorpece.
Mas ao lado dos sentimentos de completude, a solidão é um habitante fantasma. Ao contrário do amor, a solidão é uma parada no descontínuo da vida. Mas, ao invés da morte, a solidão, ela mesma também pode ser um olhar distanciado sobre o amor e sobre a eterna incompletude do mundo e do que somos.
E é sobre estes sentimentos que se debruça o musical O Labirinto da Solidão. No todo ele é um mergulho na espera ao redor da falta. Nele a presença vai se revelar sinuosa, partida, os poemas, letras enquanto pedaços, quebras e fantasias na tentativa de exorcizar o medo e ao tematizar o outro - o possível objeto do amor – em sua ausência. E é isto que vai estar nas canções dilaceradas.
E é na impossível busca de compor este sentimento que construímos um musical intimista com poemas e releituras de composições já consagradas como Medieval II de Cazuza, do antológico Dê um Role na antiga composição de Sérgio Sampaio, Tem de Acontecer.
No somatório de tudo, O Labirinto da Solidão pretende ser um mergulho e um convite à um reflexão sobre a incompletude e a descontinuidade que todos somos. No somátorio, os sentimentos do amor visitado pelo avesso: pela falta.
O musical vai ter os seus arranjos por conta de Ricardo Lopes (violão acústico e arranjos), Miran Abs (violoncelo) e de Juliano Gomes (piano acústico)
Bezerra57@yahoo.com.br
Escrito por Sóstenes Lima às 09h30
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