Vestindo a Carapuça
   



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Artigo do Mácleim - Ovo No Da Galinha

                                      

 

Ovo No Da Galinha

 

 

EM COMEMORAÇÃO AO DIA NACIONAL DA CULTURA, O GRANDE ATO DA SECULT FOI INAUGURAR UM SALÃO PARA EMOLDURADOS EX-SECRETÁRIOS, FOTOGÊNICOS OU NÃO, RISONHOS OU NÃO.

 

 

         Final de outubro: agendado um encontro com o presidente da Fundação Cultural Cidade de Maceió e representantes dos Fóruns Permanentes - entre eles o de música. Começo de novembro: agendada reunião dos representantes do Fórum Permanente de Música de Alagoas com o secretário de cultura do Estado de Alagoas. Quem será capaz de adivinhar o quê de comum aconteceu nessas duas agendas? Isso mesmo. Acertou quem previu que nem um dos dois gestores compareceu. O municipal sequer deu uma desculpa para mais uma ausência anunciada. O estadual, segundo pesquisas feitas após sua ausência, teria alegado que análises em orçamentos não lhe permitiam honrar o compromisso assumido e mandou o sub. Parafraseando Gabriel Garcia Marquez, eis a crônica de uma morte anunciada. No caso, o respeito aos atores da cultura alagoana. Porém, essa é uma visão muito particular minha, e, talvez, não reflita o que pensam os colegas desprestigiados.

       Do primeiro - o gestor municipal - não há mesmo o que comentar, já que sequer se deu ao trabalho de uma desculpa, pelo menos, esfarrapada. No entanto, há que se elogiar a coerência do seu comportamento. Sair de mansinho de onde se debate a ineficiência municipal para a cultura, fugir, e agora sequer comparecer ao que havia agendado, tem sido a marca registrada do nosso querido Marcial Lima, portentoso teórico na pele de gestor do seu projeto pessoal. Porém, dele, é até compreensível tal comportamento. Pelo menos do ponto de vista da fidelidade hierárquica. Afinal, seu chefe foi exemplar nesse quesito, na eleição passada.

        Sendo assim vamos nos concentrar no biólogo gaúcho, gestor da cultura alagoana. De cara, observamos que uma planilha de orçamento tem mais importância que uma reunião com um segmento importante do nosso arcabouço cultural. A pergunta é: por que o nosso tchê cultural fica tão à vontade para agir dessa maneira? Afinal, a serviço de quem (além do povo, é claro) ele ocupa aquela pasta? Não há como chegar ao cerne das respostas sem antes passarmos pela autocrítica necessária e pertinente à nossa própria classe. Até mesmo para não dizerem que a crítica só é bem fundamentada diante dos gestores. Ou seja; nós, da área musical, não temos feito por onde sermos respeitados. Somos permissivos e coniventes com os nossos próprios erros, estamos letárgicos, acomodados, silentes e sem sonhos. Como vamos seduzir alguém se não conseguimos sequer nos seduzir? Se nos serve de consolo, tenho percebido que não é só aqui. A letargia se estabelece em nível nacional. Mas digo logo, se meus colegas melindram-se em vestir esta carapuça, eu, não.

         Portanto, o secretário não precisaria ser quem ele é, nem abrandar sua fidelidade prioritária aos tutores políticos que o empossaram, e o mantém no cargo, para perceber nossa fragilidade permissiva e em cima dela deitar e rolar. Ainda mais, bem assessorado nesta questão, como de fato parece estar. Do contrário, em uma comunicação a um dos funcionários da Secult, a responsável pela Superintendência de Formação e Difusão Cultural não ousaria fazer a seguinte observação, que parece dar o tom democrático daquela pasta: “... por favor, quando contatar os grupos (musicais) evite brechas para especulações, sugestões e críticas.

         É obvio que a atual gestão da Secult convive e vem de um certo modismo gerencial, que renega a dimensão conceitual e humana, envolvida na gestão cultural. Achar que avanço é ser alimentado pelos mecanismos de patrocínio cultural e incentivo fiscal, fugindo dos compromissos com a cidadania e gerando uma apropriação mecânica e nada crítica de ferramentas da área gerencial, é estar no bonde errado da amplitude cultural.

         Segundo o professor da PUC–MG, José Marcio Barros, em entrevista ao Observatório Itaú Cultural, a incompetência gerencial não diminui os recursos para a cultura, que são pequenos por falta de uma atitude que reconheça na cultura centralidade e urgência. Porém, a incompetência gerencial diminui, drasticamente, a qualidade do que fazemos e as potencialidades e desdobramentos dos resultados.

          Vai ver, por isso tudo, em comemoração ao Dia Nacional da Cultura, o grande ato da Secult foi inaugurar um salão para emoldurados ex-secretários, fotogênicos ou não, risonhos ou não. Uma das leituras possíveis para tão importante ato, em prol da cultura alagoana, com raríssimas e honrosas exceções, sou capaz de contar nos dedos da mão esquerda do Lula, sem dúvida, pode ser esta: “vejam! Temos cúmplices de antes, de agora e de sempre”. Mas não quero ser injusto ou parcial, afinal, durante o “ato”, o secretário também anunciou que para 2009 contará com o ovo no da galinha. E mais, que a galinha chama-se emenda parlamentar. Como diz a canção popular: o que dá pra rir dá pra chorar...                     

 

www.macleim.com.br



Escrito por Sóstenes Lima às 19h45
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Show IRINAvegar -

Irina Costa, filha de portugueses, nasceu em Angola, em 1975. Chegou ao
Brasil ainda criança, vindo morar em Maceió. Ainda assim, continuou
mantendo contato com o movimento cultural de Portugal através de sua
família.

Gostando de cantar desde os quatro anos de idade, confessa que achava a
música portuguesa muito triste. Com a maturidade, porém, a sonoridade e
as letras marcantes foram dominando os seus sentimentos. Não resistindo
às suas raízes, Irina resolveu mostrar a nova cara da música portuguesa,
além de incluir em seu repertório fados que foram imortalizados pela voz
de Amália Rodrigues.

Seu objetivo é proporcionar uma viagem à cultura musical portuguesa,
dando-lhe uma nova roupagem.

Em 2008, seus esforços foram reconhecidos, sendo a vencedora do 2º
Lusavox na cidade do Porto, em Portugal, escolhida pela público e
transmitido para mais de 141 países pela Rádio e Televisão Portuguesa -
Rtpi, representando o Brasil com a música "O cravo e a rosa" do cantor e
compositor alagoano Sóstenes Lima.

Irina Costa foi eleita a melhor cantora de 2007 pela revista eletrônica
ESPIA; em março deste ano, a convite do Ministério dos Negócios
Estrangeiros, proferiu palestra na Universidade Lusófona, em Lisboa, no
Colóquio Juventude; além de cantar em programas da TV portuguesa, sempre
representando o Brasil e Alagoas. Foi sondada por Pedro Ayres de
Magalhães (líder dos Madredeus) e por Pedro Abrunhosa - que a convidou
para ir à cidade do Porto conhecer os seus estúdios.

IRINAvegar é o novo show que Irina Costa apresenta ao público alagoano.
O espetáculo leva o nome de uma música que recebeu de presente de Walmar
Brêda, "Ir e Navegar". No dia 19 de novembro, quarta-feira, no Teatro do
Colégio Marista, a cantora propõe uma viagem à sua história musical, já
que soltou a voz, pela primeira vez, quando ainda era aluna do Colégio
Marista, numa peça de teatro (Teatro de Revista), cantando Edith Piaf e
interpretando "Como nossos pais" de Elis Regina. "É um voltar ao começo,
voltar às raízes", diz Irina.

Acompanhada de músicos de primeira linha, Irina Costa fará um resumo da
sua carreira, presenteando a platéia com clássicos da música portuguesa,
além de interpretar músicas de artistas portugueses já conhecidos do
público brasileiro, como os Madredeus, Mariza e Pedro Abrunhosa. E, como
representante da música brasileira e alagoana, em Portugal, a excelente
produção musical de Alagoas estará presente em IRINAvegar. Para isso, o
show conta com participações especialíssimas de Sóstenes Lima, Mácleim e
Júnior Almeida. Além da poesia nos versos de Otávio Cabral.

IRINAvegar é uma viagem imperdível. *


*Show IRINAvegar
Quando: 19/11 às 21h;
Onde: Teatro do Colégio Marista
*
*Informações: 3355-1639/9106-2665*
* 3325-6545/9122-5634*
*
Ingressos: Passárgada Turismo - Blue shopping
Areia da Praia - ao lado do Casa Amarela,
Colégio Marista * *por Assessoria




Escrito por Sóstenes Lima às 18h15
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A Cara do Malandro

 



                            A Cara do Malandro

 

   O MALANDRO AÉREO DECOLOU COM TODA SUA CARGA DE IGNORÂNCIA, INSENSIBILIDADE E ESPERTEZA OTÁRIA.

 

           Não faz muito tempo, um músico importante na nossa cena me contou decepcionado, e num tom de desânimo, que havia conversado com certo empresário alagoano, durante um vôo para São Paulo.  Ao lhe perguntar se sua empresa (uma das maiores e, por certo, mais rentáveis imobiliárias de Alagoas) costumava investir em projetos culturais, obteve a seguinte resposta: “investir em cultura não dá retorno”. Aí está a essência do pensamento da grande maioria do nosso empresariado. No caso específico, eis um cidadão que, apesar de ser uma pessoa ainda jovem, é também uma espécie de cariolítico para a célula da cultura local, carente de orientação e absolutamente desprovido de sensibilidade e visão social moderna. Provavelmente, é do tipo que investe altas quantias financiando campanhas políticas, que lhe possibilitarão vantajosas negociatas com verbas públicas, tornando duplamente dolosa sua atitude negativa diante dos anseios culturais.

       Pois bem, quem sofre na pele o desgaste que acarreta esse tipo de desinformação e comportamento, são os artistas e os produtores culturais, que necessitam dos contratos de patrocínio para execução dos projetos. Por sua vez, e por tabela, o público deixa de ter bons espetáculos todas às vezes que o horizonte limitado pela omissão dos possíveis investidores, fecha portas capazes de viabilizar boas idéias culturais. Por isso, poderemos avaliar o quanto há de heroísmo na realização dos espetáculos produzidos aqui e que proporcionam empregos diretos e indiretos, agregando valores econômicos e culturais a um número expressivo de pessoas.

       A falta de sensibilidade para o entendimento destes valores, que qualquer produção cultural é capaz de agregar, o pires na mão dos nossos artistas, atrelado a uma dependência perniciosa do poder público, demonstra, antes de tudo, que boa parte dos empresários alagoanos é de uma estreiteza cidadã e de uma total indiferença pela comunidade na qual estão inseridos. Principalmente, se considerarmos a sustentação econômica que está mesma comunidade lhes proporciona, consumindo produtos e serviços. A coisa evolui para um grau de analfabetismo funcional, quando são incapazes de perceber que, ao associarem à marca de suas empresas a um bom produto cultural, o retorno institucional positivo é tão forte, e com tal poder de fixação no imaginário do público consumidor, que extrapola o dimensionamento apenas pelo ponto de vista econômico. Como a parte superior e anterior do encéfalo dessas pessoas só deve funcionar à base de exemplos práticos - são incapazes do convencimento através da sensibilidade - que tal o exemplo da Petrobrás? Por mais absurdos que esta empresa cometa, a exemplo da agressão à natureza; tudo se dilui pelo grau dos investimentos, cada vez maiores, em projetos culturais de qualidade, tornando-a uma empresa cidadã na memória ativa do povo brasileiro. Hoje, sua marca está associada positivamente aos produtos culturais que ela patrocina, e não aos acidentes ecológicos que, eventualmente, provoca.    

          Ao assistirmos qualquer espetáculo produzido aqui, no aCUário, aplaudamos com entusiasmo e como incentivo necessário aos artistas, não só pelo o que nos é proporcionado enquanto fruidores. Lá, no palco, não estaremos vendo apenas à garra de cada um, nem o resultado estético que conseguem expressar. Se quisermos, conseguiremos ver muito além do que a coxia pode esconder. Veremos o respeito ao público na proporção inversa à ignorância e falta de sensibilidade daquele empresário pela sua cultura, por nossos artistas, e pelo povo alagoano. 

         Mas, enfim: é mesmo raro o vôo em que o vizinho não é uma chatice.    

 

www.macleim.com.br



Escrito por Sóstenes Lima às 08h34
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