Vestindo a Carapuça
   



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A Villa Caeté em REVISTA § A Villa Caeté em REVISTA § A Villa Caeté em REVISTA

Entre & Vista A Villa

 

Acompanho o trabalho desse músico há anos... Conheci seus primeiros escritos através de um amigo em comum, Denis Ubirajara (o Bocão), havia muita sensibilidade nas palavras... Anos mais tarde nos encontramos em diversos festivais de música que participamos (inclusive o FEMUSESC) e cresceu a admiração pelo talento e honestidade com que faz a sua trilha cultural... Senhoras e senhores divido com vocês o talentoso... Sóstenes Lima...

 

 

 A Villa - Quem é Sóstenes Lima?

       

Sóstenes – Sou só um vivente que vê e ouve. Procuro estar atento, prestando atenção em cores, sons e sentimentos. Para mim um artista é um cronista do seu tempo. Sinto-me assim. Creio que tenho histórias para contar. E busco contá-las através do meu trabalho.

               

A Villa – Poesia ou Música, quem chegou primeiro? Como foi o despertar? Como foi a união?

              Sóstenes – Venho de uma família musical. Meu pai foi cantor de programas de rádio. Entretanto, a poesia veio antes. A música foi uma maneira que encontrei de conferir força à palavra. Tinha muita vontade de musicar meus poemas. Ganhei um violão de minha mãe aos dezesseis anos e isso foi um marco na minha vida. Mas essa cronologia logicamente não é tão linear.

A Villa – Sua poesia transita muito bem entre o amor e a natureza. Como é estar leve e atento, e tendo que enfrentar a rotina diária?

              Sóstenes – Gosto de contar histórias. As minhas e as das pessoas. Daqueles que sei, dos que não vi e dos que invento. A vida é assim. Transitamos entre sentimentos e o fazer história, entre o produzir e transformar a natureza. Escrevo aquilo que me toca, que me emociona. A rotina, ainda que às vezes seja o lado menos poético da vida, também serve de subsídio à inspiração.

A Villa – No dia a dia você é um artista que sobrevive como trabalhador comum? Ou, é um trabalhador comum que vive devido à arte? Essa dualidade dificulta, ou não, uma entrega total? Por quê?

              Sóstenes – Trabalho no serviço público. Não sobrevivo da arte. Talvez nem seja um artista. No entanto necessito da arte para viver. Não suportaria a vida sem ela. Adoraria fazer dela o meu sustento, mas vivemos num país em que viver da cultura, com dignidade, é coisa para muito poucos. Lógico que eu produziria muito mais arte se não tivesse que desviar minha energia para o sustento material.



Escrito por Sóstenes Lima às 10h51
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A Villa – Falando especificamente da música. Quais foram os Grupos que você participou? E, o que representam ou representaram para a cena Caeté?

              Sóstenes – Comecei no Arte Nova, em 86, na universidade, grupo que mais tarde se chamou Âmago de Rio. Compúnhamos juntos e foi aí que solidifiquei o meu desejo de ser compositor. Fizemos um único show e o grupo se desfez. Somente eu prossegui. Depois veio a banda Êxodus, gospel, que posso dizer que foi um marco dentro desse segmento aqui em Alagoas. Foram 10 anos. Em 2000 montei o Vestindo a Carapuça, inicialmente com remanescentes da Êxodus, e passei a trabalhar meu projeto solo a partir de 2005. O Vestindo a Carapuça foi um projeto coletivo que consolidou diversos talentos que depois tocaram seus projetos individuais. Posso citar o Marcos Farias, o Jasiel, no Caçuá, a Ezra Mattivi, a Miran Abs, o Wilson Miranda, de certa forma, o Tércio Smith, dentre outros. Acho que sou só uma notinha de rodapé no contexto da nossa cena musical.

 A Villa – Você participa e participou de vários Festivais. Seu amadurecimento vem daí? Qual a importância dos Festivais de Música da atualidade alagoana? As fórmulas estão corretas? O que fazer?

              Sóstenes – Comecei a participar de festivais dentro da universidade, nos anos 80, mas o amadurecimento se deu dentro do circuito Gospel com e Êxodus. Ganhamos festivais, entramos em estúdio, viajamos. A partir de 2000 resolvi colocar meu trabalho “à prova” em festivais competitivos. Fiz diversos: Avaré (SP), IBM Festival, Maringá (4 vezes), Itumbiara (GO), Sesc de Aracaju, Sesc de Alagoas, Lusavox, através da Irina Costa e IZP, dentre outros. É uma grande escola e uma oportunidade de reciclagem, de estabelecer contatos com outras sensibilidades musicais... Hoje eu entendo que a competição não cabe para a arte. Ela é muito subjetiva. Não contempla avaliação, já que pouca gente é isenta para reconhecer valor naquilo que não gosta. Aprecio as mostras. São uma forma de elastecer os horizontes de quem faz e de quem ouve. A possibilidade de convivência sem o julgamento de quem é melhor ou não. Não gosto muito dessa coisa competitiva, já que nada há de mais subjetivo que o gosto pessoal e dos meandros das comissões julgadoras, nem sempre imparciais.

 A Villa – Você é um exímio vencedor de Festivais? Qual a fórmula mágica: Letra, melodia, arranjo ou intérpretes? Você é meticuloso?

              Sóstenes – Não faço música para festivais ou para determinadas finalidades que não o meu prazer e a minha emoção. Daí que não ligo para modismos ou fórmulas mágicas. Venci alguns festivais sim, mas não considero isso o mais relevante. O e festival IBM possibilitou-me abrir o show de nomes famosos da MPB como Zélia Duncan, Jorge Benjor e Adriana Calcanhoto, e isso foi muito mais gratificante.  A minha música é simples. Primo pela simplicidade. Valorizo, sobretudo a melodia.

A Villa Desde cedo você teve grandes parceiros, tanto na autoria musical quanto no palco. Sei que foram muitos, poderia falar sobre eles e o que pode sugar (no bom sentido, lógico) de cada um?

            Sóstenes – Observo e admiro bastante muitos artistas da cena local. Vou tentar dizer uma linha sobre alguns: O Tobias Jr. foi meu primeiro parceiro e incentivador. Tem uma capacidade incrível de elaborar melodias simples e maravilhosas; Fora e dentro do palco aprendi muito com o Baigon. Coisas que ele nem sabe que me passou. Especialmente sobre gravação. Era muito verde quando começamos a trabalhar. O pouco que aprendi devo a ele; Do Jr. Almeida admiro a tenacidade e a capacidade de lutar pelos seus projetos; O Mácleim chama atenção pela originalidade do seu som; A Fernanda Guimarães pela singularidade da sua voz e pelo seu humor extraordinário; A Irina Costa por ser toda emoção; O Vestindo a Carapuça todo (Ezra, Wilson Miranda, Tércio, Miran Abs, Márcio Almeida) pela harmonia da convivência dentro e fora dos palcos; O Toni Augusto pela velocidade de raciocínio musical... Tem muita mais gente. Vou me deter nesses. 

 A Villa – Suas composições já tiveram diversas roupagens através de maravilhosas interpretações.  Qual a importância do interprete para as suas composições? As canções tomam outra vida, outra plenitude? Comente.         

 

Sóstenes – Costumo dizer que o intérprete confere a uma canção uma nova vida, uma nova existência. Ouvir uma música minha na voz de outra pessoa me leva a perceber aspectos da canção que ainda não tinha me dado conta. Às vezes parece outra canção, tal a particularidade com que as palavras são projetadas, fazendo um novo sentido. Adoro ouvir minhas canções nas vozes da Leureny, da Fernanda Guimarães, da Irina Costa, da Ezra, do Tércio, do Marcos Farias.



Escrito por Sóstenes Lima às 10h50
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A Villa – Suas músicas tem muita particularidade. De onde vem sua fusão musical? Quais são suas escolas?

       Sóstenes – Ouvi e ouço muita coisa. No início, de um lado os mineiros (Clube da Esquina), do outro os nordestinos mais agrestes (Zé Ramalho, Fagner, Geraldo Azevedo), juntamente com os baianos (Gil e Caetano). Cada um deixou um quê de influência... Ouvi também muito rock, blues, jazz, enfim, um pouco de cada coisa. A minha música é a leitura pessoal e transformação daquilo que gosto e de tudo que ouvi dentro da minha limitação em traduzi-lo. Não sou um musicista, minha música é intuitiva.

 

A Villa – Quantos CDs gravados (coletâneas e solo)? Comente-os.

       Sóstenes – Tenho um CD solo, o Todas as Carapuças, e participação em inúmeras coletâneas de festivais. Posso citar Alagoas em Cena, Palco Aberto 1 e 2, FestSinhá, 4 edições do festival do SESC local, 3 edições do FEMUCIC de Maringá, Coletânea Nordeste Independente, Festival IBM, Festival do SESC de Aracaju, DVD do Festival da CUT, Música Solidária, Festival CBA Gospel, dentre outros. Tive músicas gravadas por Dulce Miranda e Airô Barros em álbuns individuais.

 

 A Villa – Sua experiência “Blogueira” é inconteste. Qual o papel fundamental da internet, hoje, para o artista moderno? Por quê?

      Sóstenes – A internet é a feira moderna. É a grande possibilidade de ver e ser visto. Não só para os artistas, mas para todos que tenham um produto, ainda que seja a sua própria vida.  Escrevo um blog, o www.sosjatiuca.zip.net, embora ultimamente esteja um pouco arredio à escrita. É uma fase passageira, mas presente. Como a cadeia produtiva da música tem dificuldade de inserção no elo divulgação e distribuição, a internet pode ser um atalho, e funciona pelo menos como possibilidade. Preciso explorá-la melhor para a divulgação do meu trabalho musical.

   A Villa – Fale um pouco do seu mais recente Show “Do cordel ao Blog: Uma Viagem de Sonhos”.  Essa coesão entre o passado e o presente, remete-nos a um futuro?

       Sóstenes – A intenção do show foi mostrar a influência de diversos elementos em minha música. Desde os mais fincados nas raízes populares, aos mais universais, ditos modernos. Misturar música e literatura. Entendo que não há futuro sem que tenhamos as raízes sólidas e a real compreensão daquilo que somos, de que mescla física, espiritual e cultural somos formados.

 

 A Villa –  No geral. Quais são suas expectativas para a Cultura Caeté? O que vem de novo em 2009? Quais são suas próximas “conquistas”?

       Sóstenes – Não tenho grandes expectativas, confesso. Não vislumbro um projeto consistente para a nossa cultura por parte dos nossos gestores. A grande novidade é a gente mesmo. A nossa capacidade de inventar, de ser feliz, de criar e de viver... Esse ano pretendo concluir meu segundo CD solo, já iniciado e, pelo menos, dar continuidade ao trabalho do CD infantil em parceria com a Aline Angeli e a Irina Costa.

 A Villa - Seu momento para finalizar a Entre & Vista a Villa?

       Sóstenes – Meu momento é de tentar me entender. Coisinha difícil isso. Mas somente a partir de um processo de autoconhecimento verdadeiro é que podemos estabelecer as relações com as pessoas e com o mundo. Tenho tentado fazer isso da maneira mais pragmática possível. Nada muito filosófico. Não sei alemão e “está provado que só se é possível filosofar” (risos). Um grande abraço.

 



Escrito por Sóstenes Lima às 10h48
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Artigo do Mácleim


 

Substrato Surreal

 

O certo é que, tendo como origem minha convicção, o inexistente passa a existir pelo que dele se materializa

 

 

         Meu entusiasmo pela vida não permite que eu me sinta tão pré-histórico assim. Por isso, às vezes, me custa entender por que as pessoas são tão interrogativas quando, em algumas letras de músicas que escrevo, cito acontecimentos que vivenciei e que parecem estranhos aos apelos atuais da modernidade. Em uma dessas músicas, “João Balaio”, falo dos loucos de rua, na minha infância, e de alguns fatos do tempo da TV em preto-e-branco.    

        Confesso que não sei exatamente até que ponto minha imaginação bate o martelo e declara: “Isto, para você, de fato aconteceu. Agora, convença-os!” A partir de então, não se trata de uma mentira e jamais será pernicioso, no máximo será o substrato de uma realidade surreal. O certo é que, tendo como origem minha convicção, o inexistente passa a existir pelo que dele se materializa, embora, exista a possibilidade de nunca ter existido. Foi assim com “Panambiverá” (título do meu primeiro disco), que ainda hoje tenho a nítida certeza de que se trata do nome de uma espécie de borboleta, apesar desta teoria ter sido considerada descabida por alguns entomologistas -- “borboletistas juramentados” --, consultados por mim, quando decidi que este seria o nome da música que daria título ao disco.  Mas esta é uma longa estória que, em outra oportunidade (provavelmente por absoluta falta de assunto), contarei em detalhes. O fato é que agora existe, palpável, e para alguns, audível, algo que se chama Panambiverá. Mesmo que todas as tentativas de autenticidade tenham apontado para uma origem ilusória e fictícia.

         Da remota época da minha infância, lembro-me com saudade das novelas radiofônicas. Aliás, lembro-me de uma só: “O Direito de Nascer”, com seus personagens inesquecíveis. Mamãe Dolores, Albertinho Limonta, Isabel Cristina e Dom Rafael, povoaram o meu imaginário. Ainda criança, eu era cooptado para aquele universo, fascinado pela sonoplastia, pela sonoridade dramática dos diálogos e narrativa, sem saber o quanto aquilo significaria mais tarde para mim. Evidentemente, eu não tinha musculatura intelectual para entender o enredo que, entre outras coisas, abordava a questão do preconceito racial. O que me deixava quietinho na cozinha de casa, ao pé do rádio, alimentando minha alma enquanto minha mãe preparava os alimentos para o corpo, era a possibilidade que a novela me proporcionava de interagir, abstraindo-me; criando imagens sugeridas apenas pelos sons. Acho que foi aí, através do rádio e da literatura, que comecei a formatar minha percepção de que seria sempre possível, para mim e para qualquer pessoa, viajar pelas mais diversas latitudes da abstração. É por isso que minha expressão artística é apenas propositiva, sem qualquer outro tipo de pretensão ou efeito. 

 

WWW.macleim.com.br

WWW.myspace.com/macleim

 


Muito feliz o Mácleim no texto acima. Acontece por demais com quem milita no campo artístico esse transitar entre o real e o nem tanto. Socorro-me de Vital Farias em era casa, era jardim quando diz:

“E ninguém nem percebia
Que o real e a fantasia
Se separam no final”

Às vezes no final é que se juntam.

(Sóstenes)

 

 

 

 



Escrito por Sóstenes Lima às 10h33
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Achiles Escobar


 

 

Ao Mestre com Carinho

Exposição Cidade de Papel Marche homenageia Ranilson França

O artista plástico Achiles Escobar inaugura no próximo dia 01 de abril, às 19h, no Memorial à República, a exposição Cidade de Papel Marche. A mostra é uma homenagem ao folclorista Ranilson França e apresenta esculturas retratando personagens dos folguedos populares de Alagoas, permanecendo até o dia 16 de abril. 

Durante três meses, um grupo de jovens de 13 a 17 anos, moradores da comunidade do bairro de Bebedouro, do Ponto de Cultura Chã de Folguedos, tiveram a oportunidade de interagir com Achiles Escobar para aprender a técnica da papietagem e do papel marchê. A iniciativa foi possível graças ao Prêmio Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura, da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e do Ministério da Cultura (MinC).

De acordo com o escultor, fazem-se necessárias políticas públicas que ofereçam qualificação e incentive a profissionalização de novos representantes da cultura popular tradicional. “Durante a realização das oficinas com os jovens, procurei dialogar sobre as manifestações populares e o desenvolvimento ambiental sustentável, com foco nos saberes tradicionais”, diz Achiles.

O homenageado da exposição tem razão de ser, Ranilson França era professor, pesquisador e folclorista e sendo um dos que acompanhavam de perto os trabalhos realizados nos Pontos de Culturas em Alagoas.

Achiles, paranaense de 43 primaveras é o único artista que ainda mantém um ateliê aberto no bairro histórico do Jaraguá, desenvolvendo, junto à comunidade, projetos sociais com a intenção de fomentar o intercâmbio de fazeres, saberes e olhares entre as diferentes linguagens visuais, representando, através de suas esculturas em papel marche, as manifestações da vasta cultura popular alagoana.

 



Escrito por Sóstenes Lima às 13h39
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Artigo do Mácleim

Quem te ouviu, quem te vê

 

O cerne da questão, agora, não é mais a valorização da produção musical de Alagoas e seus atores

 

          Existem certos assuntos que tanto faz começar pelo fim ou pelo começo. Como diz o dito popular: qualquer caminho dá na venda. Porém, se perguntarmos ao interlocutor: - por onde quer que eu comece? Invariavelmente, ele dirá: - comece pelo começo. Sendo assim, o começo é este: 1998, show do convidado especial Guinga; 1999, show de Jardes Macalé e Cristóvão Bastos. Workshop de piano e arranjo musical (Cristóvão Bastos); palestra sobre composição (Jardes Macalé). Nos anos seguintes vieram Carol Saboya e Nelson Farias (oficina de improvisação); Renato Braz, Zé Renato, Silvério Pessoa, Jaguaribe Carne, Itamara Koorak, Joatan Nascimento, Yamandu Costa, todos com shows e algumas das melhores oficinas musicais já realizadas no nosso aquário, feitas por esses artistas.

            Sim, matou a charada quem, já no primeiro parágrafo, percebeu que o assunto é o que eles denominaram agora de Femusesc, ou Festa da Música do SESC Alagoas. Aproveito para reconhecer aqui a coerência da instituição que tem mudado, ao longo dos anos, a nomenclatura do evento em paralelo ao seu formato (começou como Festival SESC da Música Alagoana, passou para Mostra de Música do SESC Alagas e agora virou Festa), certamente, na tentativa de adequá-lo como espelho da sociedade e, portanto, não interessa mais expor apenas o que é sublime e tem conteúdo, menos ainda ser propositivo. Embora devam saber que a união entre conteúdo e forma é fundamental para qualquer arte que se preze. Assim, o cerne da questão, agora, não é mais a valorização da produção musical de Alagoas e seus atores. A questão, agora, é o que a instituição chama de “atendimento”, ou seja: quanto maior o público atingido pelo evento (alardeiam que foi de 11 mil pessoas, na última edição), maiores são as possibilidades de aporte financeiro para o SESC/AL, através do seu homônimo nacional.

             Claro que os artistas alagoanos ainda são importantes como pano de fundo, como justificativa para o falso discurso da instituição e, principalmente, como matéria prima para geração de produtos e bens duráveis que respaldem a “ação cultural” do SESC/AL. E, sem dúvida, este ainda é um dos bons motivos capazes de fortalecer o reconhecimento lógico da importância que tem, principalmente em uma cena tão carente, a manutenção desta ação promovida pelo SESC/AL. Mesmo que os CDs (gerados pelo evento), por exemplo, aparentemente, sirvam apenas como cumprimento de tarefa e sequer sejam enviados à única rádio que de fato toca a música produzida em Alagoas. Aliás, duvido muito, e acho até bastante compreensível, que qualquer um dos artistas, que participam deste Femusesc, tenha o meu ponto de vista, ou, sequer, que já tenha refletido sobre isto. Também respeito aos que discordarem, pois entendo que de uma forma ou de outra eles não têm mesmo motivos para tê-lo. Afinal, a maioria estará no lucro possível que o diletantismo pode oferecer. O fato é que temos percebido a ausência na participação dos diversos artistas e bandas locais que já construíram uma carreira; que têm um público formatado. Que pensam e atuam de maneira profissional. Porque será que estes artistas e bandas não podem participar também como convidados, apresentando seus shows, numa justa valorização e reconhecimento?

          As coisas tomaram rumos inesperados, principalmente após a saída do Felix Baigon do departamento de cultura do SESC/AL. Porém, rumos inesperados nem sempre são rumos imprevisíveis. Na maioria das vezes, e este é o caso, rumos inesperados levam aos resultados totalmente previsíveis. Foi o que presenciei na edição passada do evento, na noite do show do Zeca Baleiro (maciçamente divulgado pela mídia). Mesmo sabendo que eu poderia ver o que vi, mesmo assim, saí de lá chateado. O que vi foi um público que não estava ali para ouvir, e muito menos prestigiar, a música produzida em Alagoas. Por sua vez - até enquanto suportei ficar -, os artistas entravam no palco já perdendo o jogo de dez a zero, intimidados, acanhados, com performances que traiam essa condição e por mais que tentassem não poderiam mesmo virar o jogo. No final de cada apresentação, minguados aplausos. No entanto, quando o apresentador gritava: “daqui a pouco teremos o show do ...” bastava apenas começar a pronunciar o Z, de Zeca Baleiro, e o público ia ao delírio. Cabe alguma restrição ao comportamento do público? Entendo que não. Afinal, ele foi induzido à percepção de que o mais importante ali era o show do Zeca Baleiro, não a música apresentada pelos nossos artistas. Nada contra o Baleiro, muito pelo contrário, e muito menos que a cada edição do evento tenhamos artistas nacionais convidados, mas aquilo foi me dando uma agonia, uma irritação, um desconforto, pois ali eu percebi que haviam subvertido completamente o outrora real propósito do festival do SESC. Hoje, existe um falso discurso, imediatamente desmentido pela prática.

          Eu mesmo - com meus remédios diários - sou a prova de que na farmacologia os genéricos, de fato, funcionam. Porém, na música, não acredito nisso. Já o SESC Alagoas, mais uma vez, coerentemente, acredita. Do contrário, teríamos nesta edição o princípio ativo, o original e, claro: o “atendimento” garantido. 

www.macleim.com.brwww.myspace.com/macleim



Escrito por Sóstenes Lima às 11h48
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Matéria do Keyler Simões


 

 

OI Futuro anuncia selecionados em edital e prova que agiu de má fé

 

A Oi Futuro, instituição ligada à OI Telefonia e que instituiu o Programa Oi de Patrocínios Culturais, anunciou nesta segunda, dia 02 de março, a relação de projetos selecionados e só então revelou que os projetos só foram selecionados nas provenientes de cidades e estados que possuíssem leis de incentivo à cultura, como está em seu site: “Apresentamos, a seguir, a lista de projetos selecionados para patrocínio da Oi em 2009. A efetivaçao do patrocínio está condicionada à aprovação dos projetos nas leis estaduais ou municipais de incentivo à Cultura.” Ora, a informação inicial do edital falava em leis de incentivo. A Lei Rouanet é uma lei de incentivo e é federal, ou seja, projetos de Alagoas poderiam concorrer e até ganhar pois Alagoas ainda pertence à União Federativa do Brasil, mas não foi isso que se revelou. A Oi divulgou o resultado dos selecionados de 2009 condicionando ao fato dos projetos serem inscritos e aprovados em leis de incentivo municipais e/ou estaduais, demonstrando má fé. Enviamos e-mail para a Oi, mas não obtivemos retorno, pois os e-mails enviados retornam como se a caixa postal estivesse cheia.

 

Ou seja, novamente nenhum projeto de Maceió e Alagoas foi aprovado porque além de tudo não possuem leis de incentivo. Vale lembrar que o Governo do Estado de Alagoas deve ser o maior cliente da OI, no estado. E fica claro a falta com a verdade por parte desta empresa.



Escrito por Sóstenes Lima às 09h04
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Artigo do Mácleim

O mar até estava, Mácleim. Mas depois da chuva, como sempre...

 

O Mar Tá Saré

 

Não tenho o privilégio de ter sequer uma raspa de hélice do DNA de Ludwig Van Beethoven

 

         Tem coisas que só depois de muito tempo é que vamos perceber que não são, nunca foram, do jeito que sempre pensamos que fossem. É incrível como isso se torna divertido a partir de um distanciamento cronológico, onde o ridículo, agora, só pode ser estabelecido por nós mesmos. E não chega a ser um ridículo com a mácula do negativo, nem com tônica pejorativa. É um ridículo agradável, bom de ser lembrado, com um ar noncence, capaz de nos remeter a um tempo onde a malícia coexistia com a inocência e se confundiam de tão lúdicas e leves que eram.  

          Os meus 11 leitores - herdados do Revista Educativa - que acompanham meus escritos, sabem que sou um matuto nascido e criado lá pras bandas das águas do Mundaú. Pois é dessa época que recordo ouvir, nos comercias do rádio (companheiro pra dormir, companheiro de acordar), a frase instigante; “A venda nas melhores casas do ramo.” Daí, quando eu vinha a Maceió, sempre tinha a curiosidade de sair procurando as famosas “casas do ramo”. Andava pela Rua do Comércio - e adjacências - olhando para cima, para os letreiros das lojas, procurando a tal “casas do ramo”. Evidentemente nunca encontrei; mas ainda lembro das belas fachadas com suas platibandas e frontões de adornos esmerados. Uma arquitetura rebuscada em detalhes que atualmente não se vê nem se constrói mais. Não se vê porque foi coberta com tapumes de acrílico ou plástico, nada criativos. De mau gosto. Não se constrói porque tudo é reto, liso, plano, frio, vítreo, impessoal e árido. Já não temos mais tempo para contemplação. A abstração, sobre qualquer coisa, parece não caber neste mundo de plástico, onde tudo é descartável e fugaz.

          Porém, foi na música que levei anos para descobrir que o significado de algumas letras - que eu continuo a gostar - nunca foi o que eu pensava que era. O que eu pronunciava e cantava de um jeito, pouco ou nada tinha a ver com o que de fato é. Assim, só recentemente, descobri que por muito tempo maculei um trecho da canção Como os Nossos Pais, do Belchior. Eu cantava: ...”mas é você que é mal passado e que não vê ...”, quando o correto, é: “... mas é você que ama o passado e que não vê...”. Depois que a gente descobre a forma correta, faz uma diferença danada. Fica aquela sensação boba: putz, como eu pude me enganar assim?...

          Pode ser até papo de quem já procura no tempo um aliado, de quem entrou na turma do “enta”, e, agora, resignado, só pensa em sair bem no finalzinho... Aliás, só quem compreende o Millôr, quando ele escreve: “Qualquer idiota consegue ser jovem. É preciso muito talento para envelhecer”, é que pode entender certas coisas. Assim, quando aconteceu comigo, já como propositor de pelo menos uma música conhecida, aqui no aquário, é que pude entender a reação do Djavan que, à época, no estúdio de ensaios do Ricardo Duna, me pareceu ter ficado chateado quando o Duna disse: - “Djavan, bacana essa sua música que diz: ‘bicicleta não fala’...”. Na verdade ele se referia à canção Asa, cujo trecho correto é: “Diz que pedra não fala.”     

          Mas o fato é que até aqui eu ainda não consegui – e acho que não vou conseguir mesmo – mudar o rumo da prosa para encaixar o tema carnaval e, muito menos, o tal do Pinto da Madrugada e seu ciscado no terreiro burguês da subserviência cultural e não-pertencimento. E, como se não bastasse, agora, pinto bota ovo por aí. Portanto, é melhor ir direto ao desfecho desse escrito, sem mais delongas.

           Pois bem, a ficha só caiu mesmo com a música Memórias de Marta Saré, durante a temporada do show que a Leureny apresentava no teatro Jofre Soares, com as canções do Edu Lobo, no qual eu fazia a iluminação do espetáculo. Tem uma parte da letra que diz: “...pra dentro, Marta Saré...”. Por mais que a Leu repetisse nos ensaios e nos shows, eu só conseguia entender; “pra dentro, o mar tá saré”. Daí, só me vinha à mente a imagem de pessoas correndo para o mar, alegres, felizes, saltitantes e gritando: vamos, vamos, o mar tá saré, o mar tá saré! E mais: saré só poderia ser uma gíria de surfista, tipo o mar tá sarado, o mar tá legal e outras bobagens do gênero...

          Foi então que o Zé Marcio Passos, diretor do espetáculo, após a pergunta descabida deste rabiscador, destruiu minha imagem cinematográfica de mergulhos e surfistas ao mar e me fez compreender que Marta Saré não tinha nada a ver com o mar tá saré ou sarado. Fui direto consultar um otorrino. Afinal, não tenho o privilégio de ter sequer uma raspa de hélice do DNA de Ludwig Van Beethoven (assim, completo, para não haver a possibilidade de confundir com o cão). Agora, cá pra nós: que neste verão o mar tá saré, ah... Isso, tá.

 

 

www.macleim.com.br

www.myspace.com/macleim


 



Escrito por Sóstenes Lima às 10h24
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Em tempo

 

 

Esperança

Mário Quintana


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


Na quarta-feira de cinzas apareceu uma sabiá. Flanou com o vento no cajueiro. Deu o ar maravilhoso da graça. E saiu deixando corações alegres com seu canto.

A natureza, sábia, ainda se renova.

 

 

 



Escrito por Sóstenes Lima às 09h02
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Carnaval no Chaparral

Sabiás de bananeira???

 



Escrito por Sóstenes Lima às 08h52
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Carnaval no Chaparral

O que sonham???

 



Escrito por Sóstenes Lima às 08h47
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Dúvida

O que se faz embaixo de uma estátua eqüestre de alguém que pode ter assassinado muitos?

A beleza talvez esteja em saber o que.

 



Escrito por Sóstenes Lima às 08h40
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