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Coluna do Mácleim

Dia de Praia Caeté Essas comemorações pela Emancipação Política de Alagoas, só valem a pena se cair num belo dia de sol, praia e água fresca, para que o que restou dos Caetés se reconheça Há seis anos, exatamente em setembro de 2003, escrevi para um dos periódicos locais o meu ponto de vista sobre o que resultou da Emancipação Política de Alagoas. Ao reler o escrito, Dia de Praia, percebi que nada havia mudado a não ser pelos novos índices vergonhosos ratificando que a não ruptura com o passado colonial, a elitização do poder político e a falta de educação, que não permite avanços e é uma construção política, nos atrela ao início da nossa gênese emancipatória, pelo o que de pior poderia resultar. Por isso, como a maioria dos alagoanos não deve saber mesmo, nesse dia 16 de setembro são comemorados os 192 anos da Emancipação Política de Alagoas. O simbolismo da data já diz tudo. Principalmente, quando descobrimos ser irrefutável o fato de que, ao sermos emancipados por D. João VI, e desde então eximidos da tutela de Pernambuco, estamos até hoje reféns das maldades e estripulias políticas da elite alagoana e seus postulantes. Os mineiros sempre tiveram fama de espertos e ardilosos nas artimanhas políticas, porém, há que se questionar isso. Não é de hoje que os políticos alagoanos, estes sim, é que são os verdadeiros mestres. Há muito tempo desbancaram a fama e botaram os mineiros no bolso. Sejamos justos: alguns dos nossos com um elevado grau de periculosidade em quesitos encontrados apenas no código penal brasileiro. Volta-e-meia envergonham e humilham o pacato e ordeiro povo alagoano, perante a nação. São banidos e execrados em nível nacional, mas nada que o eleitor alagoano analfabeto ou fisiológico não resolva, conduzindo-os novamente à vida pública. Claro que para toda regra existe a exceção, porém, neste caso, até ela parece fugir à regra. É evidente que o exercício da política profissional, nos tempos atuais, exige de quem decide entrar no jogo que em algum momento abra mão de princípios éticos e morais, no mínimo pela conivência. Essa prática, por definição, parece ser a condição sine qua non para que os políticos trafeguem com desenvoltura nesse métier. Quem não estiver disposto a esse tipo de concessão não terá futuro; será esmagado e rapidamente descartado. Mas, não me interessa abordar o mérito da questão, já que o assunto é a Emancipação Política de Alagoas, sob outro ponto de vista, evidentemente. Portanto, não vou me ater também à velha página do nosso passado histórico. Até porque a história de 1817 é outra história. Lamentavelmente, nebulosa e sob o signo da traição. Voltemos ao contemporâneo, irremediavelmente repleto da nossa gênese histórica. Emancipados politicamente, desde então, temos demonstrado uma incrível capacidade de estado incubador de raposas políticas. Aliás, estas, infelizmente, parecem imunes ao fim que teve a raposa no clássico Ninho de Cobras, do grande Lêdo Ivo. Mesmo quando o país aponta nossos cancros, como fez recentemente uma enquete (no site da revista Veja) que perguntava qual estado tem a pior trinca de representantes no Senado. Naturalmente, Alagoas ganhou disparado com 53% dos votos. Também pudera, aqui foi forjado (escalando todas as instâncias) o bufante super-herói caçador de marajás, agora, alagoanamente, imortal. Aqui, taturanas, ratazanas e bichos escrotos, convivem em harmonia com a hipocrisia e a prática do homem cordial. Aqui, impiedosamente, a alternância no poder e a política praticada pela elite da tiborna, e seus fantoches, nunca foi capaz de gerar desenvolvimento e bem-estar para o povo. Pelo contrário, continuamos a reboque do nosso antigo tutor e somos sinônimo de atraso em todos os índices do IDH, batendo recordes nacionais e internacionais como, por exemplo, o de termos a capital mais insegura do país, com 104 homicídios por grupo de 100.000 habitantes, índice superior ao do Iraque. Nos últimos três anos o número de assassinatos subiu 63% em Maceió. Já se vão quase dois séculos da emancipação, que nos foi presenteada pelo imperador, e ainda não conseguimos evoluir de uma economia primária (cana-de-açúcar) e suas esdrúxulas relações patronais, que remontam à época do Brasil-colônia e nos coloca na dependência da importação de cerca de 80% do que consumimos. Então, essas comemorações que as autoridades promovem em louvor à Emancipação Política de Alagoas, fazem sentido apenas sob uma micro-ótica direcionada ao núcleo da questão, e para os rapapés perpetuarem a hipocrisia nos palanques oficiais. São mecânicas e uma mera obrigação “cívica” imposta pelo estado. Portanto, só vale a pena se cair num belo dia de sol, praia e água fresca, para que o que restou dos Caetés se reconheça.www.macleim.com.br
Escrito por Sóstenes Lima às 15h13
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Um breve recado

Tenho visto e recebido mensagens de pessoas em relação a outras que se foram. Espero estar longe do meu dia e por isso mesmo gostaria de deixar um recado em relação a isso. Primeiramente que quero partir com música. Muita música. Se isso acontecer, estarei nalgum lugar certamente alegre e risonho, e com a alma leve embalada nas claves, nos sutenidos e nos bemóis. Se me for num dia de chuva, quero que saibam que brinquei muito na chuva e até já bebi suas gotas. Atolei meus pés na lama e nos charcos dos campos de várzeas, atrás de bola e em direção ao gol. Fiz muitos. Que já me entristeci e escrevi poesia nos vidros embaçados dos cinzas das janelas. Fiz tudo isso com muita intensidade por que sempre estive vivo. Se me for num dia de sol, quero que saibam que sempre fui abençoado pelos seus raios. Que minha pele sempre o recebeu como um cântico e uma dádiva. Que já plantei muitas árvores. Que acompanhei o seu crescimento na busca do sol, como eu mesmo faço. Gostaria de ter comigo meus queridos amigos e as pessoas que amei e que amo. E meus filhos todos. E que cada um leve de mim apenas o amor que por eles sinto.
Escrito por Sóstenes Lima às 09h38
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Ricardo Mota e a canção

Um (quase) réquiem para a canção Ricardo Mota 13/09/2009 Com seu delicioso mau humor, José Saramago, autor de “O Evangelho Segundo José Cristo” e “Ensaio Sobre a Cegueira” (os meus preferidos), disse que as pessoas cada vez mais reduzem seus vocabulários – usam, progressivamente (!!), menos palavras. E com um sorriso entre a ironia e o ranzinza, vaticinou que, no futuro, um homem há de dizer a uma mulher que a ama usando apenas um “uuuu”, ou “aagh”, como imagina ter sido na época das cavernas. E aquela há de se mostrar feliz e satisfeita com o pronunciado – por desconhecer outra linguagem que não esta. Há, é evidente, um tanto de exagero e desesperança na provocação do mestre das palavras, mas, devemos descartá-la? O grande Chico Buarque fez pior em seu exercício “nostradâmico”. Previu que a canção, logo ela, vai morrer, fenômeno que é do século passado. Mas não foi o mesmo compositor que nos disse que “futuros amantes, quiçá/Se amarão sem saber/Com o amor que um dia/ Deixei pra você”? E que futuro haverá no amor se não houver mais canção? Dá pra imaginar um casal apaixonado, à meia-luz, ouvindo um hip hop ou um rap? É claro que para quem conhece – ou conheceu – a sinuosidade criativa das melodias que compõem o nosso cancioneiro; aprendeu a ser exigente com a forma de falar de amor “musicalmente”- quem teve essa experiência não pode supor nada semelhante ao que foi proposto acima. Mas nem toda música é uma canção, nos ensina o linguista, professor da USP e compositor (faz um trabalho fantástico com a criançada) Luis Tatit. Há de haver uma combinação entre letra, melodia e harmonia. Se não, não haverá canção, só um amontoado de versos musicados. É quase como um status a denominação - canção. E bem sabemos que a riqueza da Música Popular Brasileira, o que a faz insuperável, é esse casamento perfeito ( não seria mais apropriado, nesse caso, falar em ménage à trois?). São os compositores-poetas (e “cancionistas” - na definição de Tatit) que fazem a diferença a nosso favor. É do lado de baixo do Equador que podemos encontrar um caudaloso Vinícius de Moraes a cantar: “Assim como viver sem ter amor, não é viver/Não há você sem mim, eu não existo sem você”; ou o mesmo “poetinha” quase minimalista a revelar: “Eu sem você não tenho porquê”. Viajando no tempo, encontramos à beira da praia o inspirado e sem-pressa Dorival Caymmi, que consumiu dez anos da sua longa – e eterna - existência para descobrir que “Assim adormece este homem/Que nunca precisa dormir pra sonhar/Porque não há sonho mais lindo do que sua terra/Não há” - podendo, enfim, dar fecho e desfecho à sua magnífica “João Valentão”. Da mesma época, quase? “Na Baixa do Sapateiro eu encontrei, um dia/A morena mais frajola da Bahia”, com a assinatura do mineiro Ary Barroso. Cartola? Mas como, se “as rosas não falam”, e ele foi a mais fina flor da elegância na canção? Seu sucessor, Paulinho da Viola, outro grande cancionista, “casou” com Hermínio Bello de Carvalho, Élton Medeiros, Paulo César Pinheiro, entre outros, e com eles gerou muitas canções. Mas, também, se virou maravilhosamente bem sozinho: “As coisas estão no mundo/ Só que eu preciso aprender” – e o fez para delícia do povo brasileiro.
E como se compõe canção bonita no Nordeste! São de Humberto Teixeira os versos - e a música - que apelam para "Calu": "Tira o verde desse zói de riba d'eu" (tira não). Até no tal domínio público - território do compositor desconhecido - há de se encontrar pérolas, como o fez Paulo Vanzolini, o "biólogo das canções" - "...E o cuitelinho não gosta/ Que o botão de rosa caia, ai ai ai".
Temos, é claro, o nosso maestro soberano. A seguir, no seu instante de captura de imagens pela canção: “É pau, é pedra, é o fim do caminho...” Não, não há de ser o fim do caminho – ainda. José Miguel Wisnik, músico, compositor e professor da matéria, topou contradizer o Mestre Chico Buarque. Numa série de aulas-show, que apresentou no primeiro semestre deste ano - sobre “o fim da canção” -, assegurou que ela ainda perdurará por muito tempo sobre a Terra.
Tomara que assim seja. Mas se não o for, se a canção morrer, de fato, eu pediria que meu coração fosse enterrado ao lado dela. Mas, cá para nós, é muito mais justo que eu parta antes da minha amada. http://www.tudonahora.com.br/conteudo.php?id=15
Escrito por Sóstenes Lima às 08h43
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Sou Artista, Luto!?
DIA DO ABRAÇO AO TEATRO DEODORO Cem ANOS de Teatro Sem Teatro? No próximo dia 15 de setembro (véspera de feriado) acontecerá o Dia do Abraço ao Teatro Deodoro, uma iniciativa do Movimento Sou Artista, LUTO!? - um grupo bem engajado de artistas que se reúne, constantemente, para discutir estratégias e melhorias pro ‘fazer artístico alagoano’. Atualmente, o debate gira em torno da reabertura do teatro Deodoro. O movimento estuda ainda soluções de acessibilidade ao local, desvio de linhas de ônibus e medidas contra violência na região. No protesto do dia 15 de setembro, o grupo quer chamar a atenção para o Teatro fechado, culminando com um abraço coletivo ao redor do Deodoro e a entrega de um documento ao governador, Teotônio Vilela Filho, exigindo uma data para reabertura. Representantes de todas as linguagens artísticas participarão do Ato, assim como todo cidadão alagoano que queira abraçar um dos maiores patrimônios arquitetônicos do Estado de Alagoas. Programação: 10:00h - Leitura do Manifesto Sou Artista, LUTO!? 10:30h - Apresentações Artísticas 12:30h Abraço ao Teatro Deodoro 13:00h - Cortejo ao Palácio República dos Palmares 14:00h - Entrega de Documento ao Governador Teotônio Vilela Filho · Coletivo Afro Caeté (cortejo) · Roberta Aureliano (Hino de Alagoas) · Rugas de Ouro (grupo de dança da terceira idade) · Urukongo por Denis Angola (Solo de Dança Contemporânea) · Ancestral por Khalazome – (Centro de Estudos e Pesquisas Afro Alagoano Quilombo - CEPAA) · Parada na Pista – Mary Vaz (performance) · Tempo – Carapuça Cia. Teatral (performance) · Regadores - +idéias (performance) · Teatro do Oprimido - Grupo Revolucionarte · Intervenções cênicas espontâneas (artistas presentes no Ato)
Serviço: · Dia do Abraço ao Teatro Deodoro · 15 de Setembro · 10:00h (concentração) · Em frente ao Teatro · Apresentações artísticas, Abraço ao Teatro e Cortejo ao Palácio República dos Palmares. Sou Artista, LUTO!? È um Movimento que visa integrar as diversas linguagens das artes em pró dos Artistas Alagoanos. Sou Artista, LUTO!? É um grito de alerta aos que aliviados com nosso silêncio - quase eterno - saibam que resolvemos SAIR DA INÉRCIA e organizadamente criar ações a favor da nossa cultura. A primeira ação será um Ato de Amor e Respeito a uma das casas de espetáculos mais importantes de Alagoas – O Teatro Deodoro. Para demonstrar este amor, de forma artística e de sublime sensibilidade, iremos abraçar o Teatro Deodoro: “Deodoro eu Te Adoro!” No dia 15 de setembro - um mês antes dos seus 99 anos, as 10:00h. Em frente ao Teatro haverá uma concentração da sociedade em geral juntamente com artistas de todas as linguagens para unir forças a este Ato. Vestidos de figurino e/ou traje comum acrescido de uma faixa preta no braço. Iremos demonstrar nossa insatisfação com a falta de respostas e compromisso com esse Monumento Histórico de nosso Estado. Assinam, Os artistas alagoanos. +inf. 8803-1535/9950-8765 (David Farias)
Escrito por Sóstenes Lima às 23h32
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