Edifício da Associação Comercial - em frente ao Bar Casa da Sogra


"Crônica de uma morte anunciada"

Autor: Gazeta de Alagoas

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Quando: 17/02/2005

Último bar da noite no Jaraguá fecha as portas Dono da Casa da Sogra desiste de “remar contra a maré”

REGINA CARVALHO

 Mesmo com o tão esperado Centro de Convenções de Maceió perto de ser concluído, o último bar que anima as noites na Rua Sá e Albuquerque – principal corredor da boemia do bairro histórico de Jaraguá – está fechando as portas. O proprietário do bar Casa da Sogra, Tanagy Andrade, disse ontem à GAZETA que desistiu de “remar contra a maré” e resolveu fechar seu estabelecimento, que funciona há seis anos. “Estou desiludido, não vejo mais alternativa. Tenho que fechar o bar, entreguei os pontos. Não me sinto mais animado para trabalhar”, lamentou. Com o fim da Casa da Sogra, a diversão noturna no bairro se resume ao bares no entorno da Praça Rayol, e à vida diurna na própria Sá de Albuquerque, que ainda tem bancos, casas comerciais e restaurantes self-service. Até o começo da noite de ontem, apenas a Casa da Sogra e a Pizzaria Pianos estavam abertas. A Casa da Sogra, bar já tradicional para quem visita Alagoas ou mesmo para quem freqüentava as agitadas noites de Jaraguá, chegou a empregar 19 funcionários, mas atualmente contava com apenas cinco. “Vou fechar porque não vejo mais perspectiva. Infelizmente estou muito desanimado”, acrescentou Tanagy, que também está deixando a presidência da Associação dos Comerciantes de Jaraguá. No auge de Jaraguá, quando o bairro foi revitalizado, somente na Rua Sá e Albuquerque eram gerados cerca de 400 empregos diretos e funcionavam 20 bares, boates e restaurantes em plena euforia da agitação noturna. “Esses bares eram uma fonte de renda para muita gente”, destacou Tanagy. A proprietária do restaurante Almoço & Cia, especializado em self-service, Marília Toledo, responsabiliza o poder público pela “falência” do bairro de Jaraguá. Seu estabelecimento chegou a empregar 11 funcionários e hoje só tem quatro. “Tínhamos uma estrutura muito boa. Faziam fila para entrar no restaurante. Não sei como ainda estamos funcionando”, diz a proprietária do restaurante, que funciona há 11 anos. “Jaraguá só vai para a frente com investimentos financeiros e culturais. Temos grandes artistas da terra, que poderiam também alavancar o movimento aqui. Por enquanto, estamos nessa situação terrível. Muita gente daqui chegou a pedir empréstimo em banco para poder salvar seus bares e restaurantes e está numa situação muito difícil, tendo que fechar as portas”, lamentou.